Fernández antecipa saída da Argentina do Grupo de Lima se for eleito

Fernández antecipa saída da Argentina do Grupo de Lima se for eleito

Decisão de candidato peronista, favorito nas pesquisas, será um baque para mecanismo de pressão sobre a Venezuela e também para o Brasil

O peronista Alberto Fernández, candidato favorito à presidência da Argentina, revelou nesta segunda-feira, 7, que se for eleito em 27 de outubro, seu governo abandonará o Grupo de Lima, mecanismo apoiado pelos Estados Unidos e o Brasil para pressionar a Venezuela e forçar a saída de Nicolás Maduro do poder. Pesquisa do instituto D’Alessio IROL, divulgada nesta segunda-feira aponta que nove em cada 10 argentinos acreditam na eleição de Fernández.

Em entrevista junto com Daniel Martínez, candidato à Presidência no Uruguai, Fernández sugeriu que a Argentina poderia juntar-se ao Grupo de Contato Internacional, liderado pela União Europeia (UE), do qual também fazem parte Equador, Bolívia, Costa Rica e Panamá. Desde que o Grupo de Lima foi criado, em 2017, Uruguai e México ficaram de fora e se mantiveram críticos à atitude “custe o que custar” do mecanismo.

“A Argentina deve ser parte do grupo de países que querem ajudar os venezuelanos a encontrar uma saída, e estar no Grupo de Lima é contraditório com isso”, afirmou Fernández, que tem como companheira de chapa a ex-presidente Cristina Kirchner, atual senadora.

No dia 23 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, a Argentina alinhou-se aos demais membros do Grupo Lima na convocação do Órgão de Consulta do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que postula a possibilidade de uma intervenção militar no continente contra “um ataque armado de qualquer Estado contra um país americano”.

A convocatória tem o objetivo de intimidar Maduro, mas foi repudiada pelo Partido Peronista, que a considerou como uma quebra no princípio da não-intervenção em assuntos internos de outros países. O Uruguai retirou-se do TIAR em setembro por conta dessa manobra.

Apesar de contar com 14 países membros, o Grupo de Lima ficaria desfalcado com a saída de um representante de peso da América Latina, como é a Argentina. Mais que isso: o Brasil, a cada dia que passa, perde mais aliados na política externa — especialmente entre os vizinhos. A eleição de Fernández significará um potencial isolamento do presidente Jair Bolsonaro dentro do Mercosul.

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