Favorito para embaixada nos EUA interrompe férias para ver Bolsonaro

Favorito para embaixada nos EUA interrompe férias para ver Bolsonaro

Favorito para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, o diplomata Nestor Forster interrompeu as férias para se encontrar pessoalmente com o presidente Jaír Bolsonaro no sábado (28), em Seattle (EUA), durante parada técnica da comitiva brasileira após o encontro do G20 no Japão.

A conversa aconteceu 17 dias depois que o funcionário do Itamaraty foi promovido à primeira classe da carreira diplomática, movimento visto entre integrantes do governo como a última medida burocrática antes de sua indicação ao cargo em Washington.

Aliados de Bolsonaro afirmavam, porém, que ainda era preciso testar a boa interação pessoal entre os dois.

A Folha confirmou com integrantes da comitiva de Bolsonaro que o diplomata foi até o aeroporto para conversar com o presidente e que, segundo relatos, o encontro foi bastante descontraído.

De acordo com a embaixada do Brasil nos EUA, é praxe, mas não regra, que o chefe do posto receba o presidente em sua primeira parada no país. Neste caso, Fernando Pimentel estava como encarregado de negócios e poderia ter cumprido a função.

A interrupção das férias de Foster foi vista por diploma-indicação efetiva para o cargo.

O diplomata permanece em férias até a próxima semana, quando volta à embaixada para assumir como encarregado de negócios - uma espécie de chefe interino.

O embaixador Sérgio Amaral foi removido do posto recentemente e voltou ao Brasil em maio. Seu número dois, Pimentel, desempenha a função de encarregado de negócios até o fim das férias de Forster.

Amigo do escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico do governo Bolsonaro, Forster tem apoio do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) para liderar a embaixada nos EUA.

Sua promoção foi publicada no Diário Oficial e, como ministro de primeira classe, ele pode ser escolhido por Bolsonaro para assumir a embaixada - seu nome precisaria ser aprovado pelo Senado.

A indicação ganhou força e a simpatia do presidente durante viagem de Bolsonaro à capital americana, em março.

Nas últimas semanas, diplomatas e funcionários da embaixada davam como certa a indicação de Forster. Agora, com a promoção e conversa direta com o presidente, dizem, falta apenas Bolsonaro fazer o convite.

Foi Forster quem apresentou Olavo de Carvalho para Araújo e, com aval do ministro, ajudou a elaborar a lista de convidados da `Santa Ceia da direita`, jantar com a presença de pensadores e jornalistas conservadores na primeira noite do presidente na capital americana.

Desde abril, quando a remoção de Sérgio Amaral para São Paulo foi publicada no Diário Oficial, Forster teve participações em reuniões importantes do governo brasileiro nos EUA.

Ele estava, por exemplo, no encontro de Araújo com integrantes da alta cúpula do governo Trump. Amaral também foi às reuniões, mas o mais natural seria que seu número dois, Fernando Pimentel, acompanhasse a comitiva.

Forster ajudou ainda a costurar a reunião de Bolsonaro com Trump na cúpula do G20.

Patrícia Campos Mello y Marina Dias

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