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Fala de Campos alivia pressão no dólar

Fala de Campos alivia pressão no dólar

Câmbio Para parte dos analistas, presidente do BC adota tom mais firme e ajuda a desencorajar especulação

Comentários sobre a dinâmica cambial recente proferidos pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chamaram a atenção de participantes de mercado. Para parte dos analistas, o dirigente adotou um tom mais duro em relação ao comportamento do dólar, referendando uma atuação mais firme vista no final da semana passada. As falas teriam ajudado a tirar pressão altista da moeda americana.

Na semana passada, o dólar esteve próximo dos RS 6,00 em um momento em que várias moedas emergentes já recuperavam do tombo de março e abril. A tendência só foi quebrada após uma intervenção mais agressiva que o habitual do BC, que dobrou a ração de swap e vendeu dólares à vista num mesmo dia. Mesmo contabilizada a recuperação desde então, o real continua como a pior divisa emergente no acumulado de maio e também do ano, com queda de, respectivamente, 2,53% e 28,15%.

Em videoconferência organizada na noite de quarta-feira pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Campos disse que a autoridade monetária continuará atuando no mercado de câmbio sempre que necessário e lembrou que, por causa da valorização do dólar, o nível de reservas subiu em relação ao PIB.

`Entendemos que temos um espaço muito amplo de venda de reservas. A gente vai continuar atuando e pode até aumentar a atuação se entendermos que é necessário`, afirmou.

Para Gabriel Gersztein, estrategista-chefe para mercados emergentes do BNP Paribas, a autoridade monetária pode ter passado a considerar que os benefícios de um dólar mais caro estão sendo ameaçados pelos custos dessa estratégia. `Acho que caiu a ficha. A moeda é algo muito importante em qualquer economia para um BC deixar passar a impressão de que é algo que não importa`, diz Gerztein, para quem o BC efetivamente deixou o câmbio desancorarnas últimas semanas. `Com um câmbio volátil desse, as empresas não conseguem fazer hedge e as condições financeiras pioram muito, impactando a confiança do empresário. Além disso, o dólar mais alto acaba reduzindo a renda disponível do consumidor.`

Para o profissional, a dinâmica recente do dólar no Brasil pode ter feito esses custos superarem os aspectos positivos do câmbio mais desvalorizado, como a melhora da balança comercial, das contas externas e dívida pública. `Existe esse trade-off e acho a fala de Campos reconhece que se estava chegando a um ponto em que os custos eram ma iores que o impacto positivos`, diz Gersztein. Economista-chefe da JGP, Fernando Rocha avalia que Campos influenciou o comportamento do câmbio nâo somente ao falar de intervenções, mas também por sinalizar uma cautela maior em relação ao ritmo de cortes da Selic. `No discurso, como em algumas conversas que o BC vem fazendo com o mercado, o que vem sendo comunicado é que eles querem ser mais agressivos com o dólar e continuam a ressaltar o risco do ´zero lower bound´. O mercado vem entendendo que o BC não vai ser tão testador de limites, que o corte pode nâo ser de 0,75 ponto`, diz. `Não por acaso, a curva cie juros está achatando. Toda vez que o BC é muito dovish [ favorável a estímulos), o dólar piora rapidamente e a curva empina.`

Na outra ponta, está a gestora do fundo macro da Truxt Investimentos, Mariana Dreux. Para a profissional, o mais importante para o recuo recente do dólar no Brasil é a melhora do cenário para moedas emergentes no exterior e sinais de distensão da política local. ´Temos u ma onda global de recuperação que começou com as bolsas lã fora e só agora está chegando às moedas emergentes`, diz. Além disso, continua, contribuiu o clima mais ameno que se esperava na reunião do presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, bem como o refluxo das especulações sobre uma possível saída do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Dreux diz ainda que o BC também agiu de forma mais firme em momentos recentes em que a moeda subiu rapidamente, se descolando dos pares, mas que isso foi pontual. `Observando discursos anteriores, os dirigentes do BC sempre batem na mesma tecla, indicando que contam com grande arsenal e que podem usar se necessário`, diz. Fernando Rocha, sócio da JGP: BC i nflu encia câmbio não some nte ao falar de irrterve lições, mas por cautela na Sei ic

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