Fala de Bolsonaro preocupa estrategista

Fala de Bolsonaro preocupa estrategista

Investimentos Executiva do J.P. Morgan Asset vê ruído político ameaçar agenda de reformas do governo

O discurso do presidente Jair Bolsonaro no sentido de aliviar as medidas de quarentena da população, na contramão do que o próprio Ministério da Saúde sugeria, trouxe uma dose extra de estresse para o cenário doméstico, segundo Gabriela Santos, estrategista global do J.P. Morgan Asset Manegement
`O Brasil já enfrentava um cenário externo complicado e agora o doméstico também complicou porque a gente começa a ver uma fricção entre o governo e o Congresso. É uma preocupação extra, não só pelo cenário externo e o coronavírus, mas um ruído doméstico com impacto em toda a agenda e trajetória de reformas`, comentou ao participar de conferência pela internet promovida pelo escritório InvestSmart, ligado à XP Investimentos, `Por isso o Brasil tem movimentos particularmente fortes na bolsa, moedas e renda fixa, não é só o cenário externo, o externo é 90%, mas tem um componente doméstico também.`
A especialista afirmou que o discurso para o afrouxamento das restrições sociais repete o que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido, querendo reabrir a economia, enquanto os especialistas em saúde dizem que não dá. `O Brasil também é parecido porque as decisões vêm sendo tomadas mais no nível estadual, municipal e privado, do que no federal`, disse.
Para Gabriela, não dá para saber ainda se a covid-19 estará sob controle em 15 dias ou em quatro meses no Brasil. Ela citou que o caso asiático, onde entre três e quatro semanas a situação apresentou alguma normalização, não pode servir como modelo. Enquanto a China adotou restrições fortíssimas e Coréia e Japão têm mais experiência para lidar com epidemias virais, fazendo testes e isolando os doentes e pessoas do seu entorno, na Europa, Estados Unidos e outros países as sugestões acabam não sendo seguidas à risca.
A economia global como um todo vai sofrer um baque, com um recuo de 1% do PIB no conjunto, segundo as projeções do J.P. neste ano. Nos Estados Unidos, o freio deve se concentrar no segundo trimestre, com decréscimo anualizado de 10% a 20%. Na China, o tranco deve aparecer no primeiro trimestre com uma contração severa, de 45%. `O Brasil e outras regiões não têm como escapar disso. Com os efeitos externos e domésticos, o Brasil pode ter contração de dois dígitos também no segundo tri mestre,`
A boa notícia, afirmou Gabriela, é que esse tombo da atividade global parece já estar nos preços dos ativos. `Não estou sendo otimista, mas realista, muito disso já está refletido nos movimentos do mercado no último mês`, disse. Ainda segundo ela, quando o mercado está muito volátil, a sugestão é ter certa calma e olhar para o que tem na ca rteira, se os objetivos finance iros são para o mes que vem ou se são para cinco ou dez anos. `Senão o investidoracaba nesses momentos perdendo oportunidades. Muito disso parte do horizonte de médio e longo prazo, e a alocação global é tão importante para diversificação nos momentos de estresse, em dólar ou em ativos globais, que balançam menos que no Brasil porque você não vai ficar trancado em casa para sempre, a crise vai passar e o momento é de escolher os ativos para pegar essa recuperação.`
Em meio à crise engatilhada pela pandemia de covid-19, a Ibiuna Investimentos escolheu ser `bem sim pies`,segundo Mario Torós, sóciofundador da gestora e ex-diretor de política monetária do Banco Central. No multimercado macro, a casa tem privilegiado estratégias ligade aproveitar os movimentos expansionistas de política monetária comoresposta ao tranco que a atividade glo bal já começou a sofrer. `Não e hora de inventar muito, tem muito prêmio na maioria dos ativos e na curva`, disse ao participar de conferência pela internet promovida pela XP Investimentos. `Na nossa \isâo, os estímulos monetários vão continuarem diferentes países e também no Brasil, compete a nós escolhermos as taxas onde estão as melhoresoportunidades. A maior parte do risco está no Brasil. O gestor acha que o BC tem espaço para cortar ainda mais a Selic para até 3% ao ano, dos 3,75% atuais. Para Torós, Tesouro e BC tem arsenal para reduzir a volatilidade do câmbio e das taxas cie juros futuros ao combinarem políticas de recompra de títulos longos com operações de swap, linhas em dólar ou até venda de reservas. `A gente acha que a taxa [Selic) vai cair, que a curva [de juros) vai desinclinar.`
Na visão de Torós, o Brasil tem menor espaço fiscal para compensar perdas econômicas decorrentes da covid-19, então o instrumento deve ser monetário. O gestor disse ter posição parecida no México, onde a taxa básica hoje é o dobro da vigente no Brasil, e cuja economia vai sofrer uma desaceleração fortíssima, além de ter exposição em países centrais como EUA Por ora, o multimercado está zerado em ações, porque embora veja alternativas interessantes, `não quer queimara largada`.

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