AGNU  ●  Coronavirus  ●  Islas Malvinas  ●  Mercosur  ●  Mercosur-UE  ●  Venezuela

Exportações vão cair mais em 2020

Exportações vão cair mais em 2020

Veículos: Desde o início cia crise argentina montadoras tentam, sem sucesso, reduzir dependência cio país vizinho

O volume de veículos exportados pelo Brasil caiu 31,9% em 2019, num total de 428 mil unidades. Os fabricantes esperam resultado ainda pior neste ano. Projetam embarcar 381 mil veículos em 2020.Nãose via volume tão baixo desde 2009, quando 3G8 mil carros e comerciais pesados produzidos no país seguiram para o exterior.

Desde que a Argentina entrou em crise, há 20 meses, a indústria automobilística tenta reduzir a dependência do país vizinho para exportar. Mas as chances de isso acontecer parecem cada vez mais escassas. O produto brasileiro não conseguiu, ainda, aceitação em outros mercados além do argentino, onde o consumidor, atolado numa inflação acima de 50% em apenas um ano, afastou-se das compras de bens duráveis.

O país vizinho ainda responde por mais da metade das exportações de veículos fabricados no Brasil. Por isso, os volumes despencam a cada mês. Os passos que essa indústria conseguiu avançar em busca por novos destinos desde que o principal parceiro comercial entrou em crise limitam-se a vizinhos menores, como Paraguai.

Mesmo assim, alguns deles passaram a comprar menos carros do Brasil porque foram atingidos por crises políticas e sociais. Ao anunciar, ontem, a projeção pessimista para o mercado externo em 2020, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, previu que o ano tende a ser desfavorável nos mercados onde o cano brasileiro encontra aceitação.

Para ele, a Argentina continuará a conviver com inflação alta e outras preocupações como pagar sua dívida externa. Já no Chile, previu, a onda de protestos não acabou. Os dirigentes da indústria começam a deixar de simplesmente apontar a crise na Argentina como justificativa para o baixo desempenho do setor no cenário externo. Argumentam que os custos locais são uma barreira à competitividade brasileira.

Moraes disse ontem que, além da crise na Argentina, as exportações do setor também não avançam porque existe um `problema estrutural chamado custo Brasil`. Segundo ele, há empresas no setor que correm o risco de perder projetos de novos modelos para fábricas de outros países. É por isso, destacou, que nem a taxa de câmbio, favorável à exportação, ajuda.

O dirigente atribuiu, inclusive, à queda das exportações a retração no nível de emprego no setor. A quantidade de postos de trabalho nas fábricas de veículos encolheu 3,7% em 2019 na comparação com o ano anterior. Isso representou a eliminação de 4,3 mil vagas. Grande parte reflete o fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP).

Mas, segundo Moraes, a queda das exportações levou várias ernpresas a reduzir o ritmo de produção e, consequentemente, eliminar postos de trabalho. Mas o nível de emprego caiu a despeito de a produção ter aumentado, o que indica uma elevação da automação nesse setor.

No ano passado foram produzidos 2,94 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, um aumento de 2,3% em relação ao volume de 2018. Para 2020, a Anfavea projeta produzir 3,16 milhões de veículos, o que representará um avanço de 7,3% na comparação com 2019.

As dificuldades no mercado externo serão compensadas, acreditam os fabricantes, pela continuidade da recuperação da demanda no mercado interno, que em 2019 cresceu pelo terceiro ano consecutivo.

Venda direta de carros afrotistaschega a 44% e tende a manter-se nesse nível, segundo a Anfavea A Anfavea aposta que o cenário macroeconômico favorecerá suas vendas em 2020 e, por isso, estima expansão de 9,4% no mercado interno em relação a 2019. Isso eqüivale a um mercado 3,05 milhões de unidades. Em 2019 foram vendidos 2,78 milhões de veículos no país, o que representou crescimento de 8,6% na comparação com o ano anterior.

Foi o melhor ano desde 2014. Para Moraes, 2020 começa `em condições melhores do que 2019`. Ele aponta a `ligeira recuperação` no nível de emprego, controle da inflação e o `bom trabalho do Banco Central` na redução da taxa básica de juros. Ele diz, ainda, que o Brasil passa também a ser mais atrativo para investidores por `ter feito a lição de casa` no esforço de red uzir o déficit fiscal.

O quadro positivo não deve, porém, diz ele, ser um motivo de acomodação em relação ao que ainda há para ser feito. Em relação aos juros, o dirigente diz que há, ainda, muito espaço para as taxas do Crédito Direto ao Consumidor caírem mesmo que a Selic fique estável em 4,5%. Segundo ele, os juros do CDC em veículos estão em torno de 19% ao ano. `O CDC é o principal instrumento de vendas de carros e de caminhões no país`, destaca.

Moraes diz que a queda nas taxas de juros favorecerá a expansão das vendas, apesar de reconhecer que nos últimos meses a venda direta sustentou grande parte do crescimento. A vencia direta do fabricante para grandes frotistas está em torno de 44% do mercado de carros novos. Segundo Moraes, esse percentual tende a se manter .

Ele diz que as compras das locadoras eqüivalem a menos da metade desse percentual. Por outro lado, ele aponta as novas tendências de transporte, como Uber, para justificai- essa modalidade. `A venda direta é algo que veio para ficar`, destaca. Apesar do clima de comemoração dos resultados e das projeções no mercado interno, o setor está, no entanto, ainda longe de seus recordes. Em 2012, foram vendidos no país 3,80 milhões de veículos.

Isso significa que, apesar do otimismo em 2020, o volume projetado para o ano, de produção de 3,71 milhões de veículos no país, eqüivale a 750 mil veículos a menos do que oito anos atrás. O presidente da Anfavea lembra que a diferença eqüivale, praticamente, a três meses de vendas. `É como se precisássemos que este ano tivesse 15 meses para chegar ao tamanho do mercado de 2012.`

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino