Expansão do coronavírus no Brasil é uma ‘grande ameaça’ para o Paraguai, diz presidente do país

Expansão do coronavírus no Brasil é uma ‘grande ameaça’ para o Paraguai, diz presidente do país

08/05 - 20:28 - Mais da metade dos casos registrados no país vizinho vieram do Brasil, o que levou o governo de Assunção a reforçar segurança nas fronteiras

ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, afirmou nesta sexta-feira que a expansão do coronavírus no Brasil representa uma grande ameaça para o seu país, que conseguiu conter o avanço da doença nos últimos dois meses com uma quarentena rigorosa. A declaração é o mais recente sinal de inquietação de vizinhos do Brasil com a situação da epidemia no país.

Mais da metade dos 563 casos registrados pelo Ministério da Saúde Pública são de paraguaios provenientes do Brasil, que entraram no país com uma permissão especial. A maioria está em quarentena em abrigos vigiados por militares.

Os novos casos dobraram o número total de infectados em apenas uma semana e alertaram as autoridades, responsáveis por controlar uma fronteira seca de mais de 400 quilômetros, altamente permeável.

— O Brasil talvez hoje seja o lugar onde há a maior expansão do coronavírus no mundo e é uma grande ameaça para o nosso país — disse Abdo a repórteres durante uma visita ao departamento de Misiones, no Sul. — Eu já reforcei e militarizei as áreas mais vulneráveis, com o maior volume de pessoas.

Abdo é o mais recente líder a demonstrar preocupação com o descontrole do coronavírus no Brasil. O país tem muito mais casos da doença do que os seus vizinhos, tanto em termos absolutos quanto relativos, o que tem despertado preocupações de que possa haver importação de casos.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, também já declarou mais de uma vez estar muito preocupado. Na terça-feira, o Uruguai anunciou medidas para conter a entrada de pessoas do Brasil.

O ministro da Saúde do Paraguai, Julio Mazzoleni, afirmou que também estava preocupado com a "carga viral extremamente alta" apresentada pelos paraguaios do Brasil, em sua maioria jovens e assintomáticos, e disse que "é absolutamente vital que tenhamos controle no nível da fronteira".

O Brasil registra mais de 135 mil casos de coronavírus e quase 9 mil mortes.

Fossas e arames

Nesta semana, Abdo tornou mais rígidos os controles na Ponte da Amizade, no Leste do país, o principal trecho de fronteira com o Brasil, por onde entraram cerca de 2.500 paraguaios, autorizados a voltar nas últimas semanas.

Outra das cidades onde a vigilância foi reforçada está ao norte de Pedro Juan Caballero, onde uma estrada estreita marca o limite com o Brasil. Os militares cavaram fossas e colocaram arames para bloquear a passagem após o fechamento da fronteira em março.

— Houve um aumento de pessoal para reforçar o controle e tentar fechar as áreas que estavam sendo violadas na fronteira — disse à Reuters o porta-voz das Forças Armadas, Víctor Urdapilleta.

A quarentena rigorosa ajudou a abaixar a curva de contágio e a limitar o número de mortos a 12. Algumas atividades econômicas foram reativadas nesta semana, mas o governo disse que a última coisa a abrir serão escolas e fronteiras.

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