EUA prometem acelerar acordo sobre Alcântara

EUA prometem acelerar acordo sobre Alcântara

Em Brasília, secretário de Defesa americano pede a ministro Silva e Luna que lidere negociações com Caracas e pede cautela em negócios com a China

Liderança na questão da Venezuela pedida de um lado, empenho no fechamento de um acordo para a Base de Lançamento de Satélites de Alcântara (Maranhão) e maior parceria militar de outro. Assim poderia ser resumida a reunião entre o secretário americano de Defesa, James Mattis, com o ministro brasileiro da mesma pasta, Joaquim Silva e Luna, ontem em Brasília. Mattis, que seguiu para o Rio onde participa hoje de uma palestra na Escola Superior de Guerra prometeu acelerar a questão de Alcântara. O secretário, que iniciou pela capital brasileira sua primeira viagem oficial à América do Sul, visitará ainda Argentina, Chile e Colômbia. 

Silva e Luna pediu a Mattis maior esforço para resolver rapidamente o acordo de salvaguarda militar que garante a tecnologia americana presente em satélites o que permitiria que a Base de Lançamento de Alcântara fosse finalmente utilizada. Este acordo chegou a ser recusado em 2003 pelo Congresso brasileiro, que viu `perda de soberania` na criação de áreas proibidas para brasileiros no local. Agora, segundo o ministro, isso está resolvido, e ambos os países estão apenas tratando de detalhes. 

-Isso tudo já foi superado. Hoje a redação está pendente da terminologia utilizada, para não passar a percepção de que há alguma subordinação, servidão ou o uso privado de determinadas áreas do território brasileiro. O objetivo é anular qualquer dúvida neste sentido disse o ministro. 

Mattis, no voo para o Rio, confirmou que pretende acelerar o acordo de Alcântara: 

-Estamos trabalhando para ter um acordo o mais rapidamente possível. 

PEDIDO ESPECIAL 

Silva e Luna, por sua vez, que lembrou que ontem foi firmado o acordo SSA (Space Situational Awareness, consciência situacional do espaço). 

-Isso mostra que os EUA têm o objetivo de aumentar a parceria com o Brasil na área de satélites. Alcântara, como todos sabem, tem uma área privilegiada. 

Além disso, o ministro brasileiro pediu mais parcerias em tecnologia e no controle de fronteiras, para combater o narcotráfico internacional. E o governo americano, mais uma vez, sinalizou que, em troca de um aumento da parceria militar brasileira, pode fechar mais negócios. Atualmente a Embraer participa de uma licitação para o fornecimento de serviços aéreos e a venda de 150 aviões A-29 Super-tucanos à Força Aérea americana. 

O encontro também teve uma alusão discreta à China. 

-No começo de nossa conversa, muito por alto, ele falou da importância da escolha de parcerias, citando o fato de que há muitas formas de perdas de soberania, e que uma delas é criando a dependência tecnológica e até econômica de países que não têm um alinhamento com a nossa forma democrática de proceder afirmou o ministro ao GLOBO. 

Na visão de Silva e Luna, `ficou claro que se trata de uma disputa comercial, inclusive na área de defesa, que ocorre no mundo inteiro`, e que o Brasil tem que analisar a cada caso o que pode ser mais vantajoso. Ele não descarta uma ampliação da parceria com os EUA, mas nega que se repita o modelo colombiano país mais próximo dos americanos na região por causa da complexidade do Brasil. Por outro lado, ouviu de Mattis um pedido especial sobre o caso político, social e econômico da Venezuela: 

-Ele quer que o Brasil lidere este processo de ajuda à Venezuela, conversando com os países do nosso entorno, particularmente com aqueles que estão sendo afetados por esta corrente de migração - disse o ministro. Aideiade liderar é uma formadebuscar alguém que se comprometa em buscar uma solução. Mas um trabalho de operações conjuntas. 

O ministro brasileiro fez questão de esclarecer que esta liderança seria apenas para ajuda humanitária, sem envolver, por exemplo, algum apoio às forças opositoras ao governo de Nicolás Maduro. Por outro lado, ele reconheceu as dificuldades: 

-Para ajudar, é preciso que alguém queira receber algum tipo de ajuda. E esta solução não existe. E preciso construir um caminho para esta solução concluiu o ministro. 

O repórter viajou a convite do Departamento de Defesa dos EUA

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