EUA não atacam só a Huawei ou a China, mas quem ameaçar sua liderança, diz executivo da empresa

EUA não atacam só a Huawei ou a China, mas quem ameaçar sua liderança, diz executivo da empresa

15:37 - À frente das operações da chinesa o Brasil, Sun Baocheng afirma que pressão dos norte-americanos para banir a empresa do 5G ocorre por causa da tecnologia avançada da companhia

Há pouco mais de um ano à frente das operações da Huawei no Brasil, Sun Baocheng alerta que a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil - e o mundo - para banir a empresa das redes de telecomunicações e do 5G não é nova, nem direcionada apenas a companhias chinesas. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele afirma que os norte-americanos usam esse método contra qualquer corporação e país que ameace sua liderança no cenário internacional, inclusive o Brasil.

"Essa tentativa de restrição à Huawei por parte dos EUA ocorre por causa da nossa tecnologia avançada. Somos líderes mundiais e não apenas no 5G. Os Estados Unidos não atacam apenas a Huawei ou a China. Qualquer um que tiver a tecnologia mais avançada sofrerá o mesmo tipo de ataque", afirmou o executivo, que está na Huawei desde 2005.

Sun Baocheng cita o exemplo da francesa Alstom. "A Alstom tinha uma divisão de energia que era líder mundial e tinha como maior rival a norte-americana General Electric", afirmou. Executivos da empresa foram presos depois de se tornarem alvo de investigações de suborno nos termos da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior dos EUA e, após receber multas bilionárias, os negócios na área de energia foram adquiridos pela General Electric.

"Essa pressão dos EUA não vem de agora nem está restrita à China. Os EUA batem em todas as empresas e países que lideram. No futuro, se houver empresas brasileiras liderando a disputa pela tecnologia, elas serão alvo do mesmo tipo de pressão dos EUA", afirmou o executivo.

No mês passado, uma comitiva liderada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, e composta também pelos senadores Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), além de dois ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), esteve em Washington. Eles visitaram empresas, como Motorola, IBM e Nokia, e se reuniram com integrantes do governo americano, como membros do Conselho de Segurança Nacional, Departamento de Estado e Departamento de Segurança Interna.

A posição dos Estados Unidos a respeito do 5G é um dos poucos pontos em que a política da Casa Branca não foi alterada na mudança de governo de Donald Trump para Joe Biden. Os americanos continuam a pressionar o Brasil para que não permita mais a participação da chinesa Huawei no mercado nacional, embora ela esteja presente no País há 23 anos. A justificativa dos americanos é de que a participação da chinesa representa riscos à segurança nacional.

Diante da pressão da bancada ruralista, que tem na China seu principal parceiro comercial, o Brasil optou por não vetar a companhia - o que exigiria um decreto presidencial e teria um elevado custo político e uma provável disputa judicial. Decidiu, no entanto, criar uma alternativa: impor às teles que participarem do leilão do 5G a construção de uma rede privativa de uso exclusivo do governo, com requisitos que não mencionam a Huawei, mas, na prática, impedem a escolha de seus equipamentos.

A Huawei comemorou a separação das redes e evitou polemizar. "A rede privativa é dedicada para a comunicação do governo. Mas a rede comercial, para o público em geral, foi aprovada com uma regra sem restrições para a Huawei, uma decisão acertada do governo e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Tudo agora vai depender das condições comerciais e de mercado. Temos uma boa participação de mercado e nossos equipamentos permitem uma evolução do 4G para o 5G", afirmou Sun Baocheng. "Quero destacar que, para as redes comerciais do 5G, não há qualquer tipo de restrição. E esse é o nosso foco."

Leilão
A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao do 4G, com maior consumo de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Será a maior licitação de espectro da história do País. O edital, no entanto, ainda está sob análise do TCU, e não há mais previsão sobre quando o leilão poderá ser realizado. Em fevereiro, a Anatel apostava que seria possível marcá-lo para agosto, mas, diante das exigências da corte de contas, a disputa pode ficar para o fim deste ano ou até 2022.

Apesar da frustração do governo, o CEO da Huawei vê algumas vantagens nesse atraso. Segundo ele, o Brasil terá a oportunidade de aproveitar a experiência de outros países na implantação da tecnologia para agilizar a construção das redes. Ele defende ainda o uso dos equipamentos que já estão disponíveis para o 4G e que podem ser adaptados para o 5G - embora o edital seja claro ao exigir o padrão mais recente. Menciona também que os smartphones 5G chegarão ao País mais baratos e acessíveis para os consumidores comparativamente ao preço inicial praticado na Europa e na China.

"O 5G será muito importante, tanto quanto a eletricidade foi há 100 anos. Será a base da indústria 4.0. Não é um serviço apenas para os consumidores", afirmou o CEO. "O 5G vai ajudar muito no aumento da eficiência e na redução dos custos. Será praticamente uma reforma da indústria, do agronegócio e da infraestrutura, e vai gerar um ciclo positivo que vai contribuir para o desenvolvimento econômico do Brasil."

Sun Baocheng elogiou ainda a opção do governo por priorizar a realização de investimentos, em detrimento da arrecadação de outorga. Do total da faixa, 90% serão convertidas em obrigações e 10% em bônus para o Tesouro Nacional. Entre essas contrapartidas está a cobertura de rodovias com sinal 4G. "O leilão poderia ficar muito caro se optasse pela maior arrecadação. Esse modelo vai estimular os investimentos dos operadores e a implantação da tecnologia, além de acelerar a chegada do serviço para os consumidores."

O executivo aproveita ainda para reafirmar que a Huawei é uma empresa privada, sem qualquer vínculo com o governo chinês, cujas demonstrações financeiras passam por auditoria da KPMG, embora não tenha ações negociadas no mercado.

No Brasil, a Anatel estima que a Huawei esteja presente em algo entre 35% a 40% das redes atuais. As operadoras dizem que a fatia é ainda maior, variando de 45% a até 100%, dependendo da empresa.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino