EUA confirmam ter pressionado Brasil para excluir Huawei do leilão do 5G

EUA confirmam ter pressionado Brasil para excluir Huawei do leilão do 5G

09/08 Segundo diretor para o hemisfério do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, gigante chinesa poderia enfrentar problemas por falta de chips

Em sua visita ao Brasil na semana passada, a missão da Casa Branca liderada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, alertou o governo de Jair Bolsonaro sobre eventuais problemas logísticos que a empresa de telecomunicações chinesa Huawei teria caso participe da implantação da rede de telefonia móvel 5G no Brasil.

Em entrevista por teleconferência nesta segunda-feira a jornalistas brasileiros e argentinos, o diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional para o Hemisfério Ocidental, Juan González, que participou da missão a Brasília, mencionou que a Huwei pode sofrer uma eventual escassez de chips, com consequências para os consumidores brasileiros.

— Dissemos ao governo brasileiro que devem levar isso em consideração — afirmou González, em uma referência indireta a medidas americanas que pretendem restringir a venda de componentes de chips e outros produtos de alta tecnologia a empresas chinesas.

Questionado sobre uma suposta negociação na qual os EUA teriam oferecido ao Brasil tornar-se um "parceiro global" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em troca da exclusão da Huawei do leilão do 5G, González negou qualquer tipo de oferecimento nesse sentido.

— Continuamos apoiando o Brasil para que se torne um parceiro na Otan — disse González, segundo o qual não foi obtido, durante a visita, nenhum compromisso brasileiro sobre a Huawei.

Desde o governo de Donald Trump, os EUA pressionam o Brasil a excluir a gigante de telecomunicações chinesa do leilão, mas foi a primeira vez em que um funcionário do governo americano mencionou publicamente eventuais dificuldades logísticas da Huawei. No ano passado, ainda sob Trump, companhias chinesas produtoras de chips, como a SMIC, foram incluídas na chama "lista suja" do governo americano.

A implantação da tecnologia 5G foi um dos principais assuntos das conversas entre os enviados de Biden e os governos Bolsonaro, em Brasília, e Alberto Fernández, na Argentina. No Brasil, o leilão do 5G deverá acontecer ainda este ano e deve movimentar, pelo menos, R$ 44 bilhões. A previsão é que o TCU (Tribunal de Contas da União) se pronuncie sobre o edital no dia 18. O documento não exclui a Huawei da rede comercial, mas cria uma rede separada para o governo, da qual a empresa não participaria, segundo já disse o ministro Fábio Faria, das Comunicações.

Os EUA não produzem equipamentos para a rede 5G, mas têm pressionado seus aliados a darem preferência aos produtos de empresas europeias, como a Siemens e a Ericsson.

Na entrevista, González reiterou o teor de nota divulgada pela embaixada americana em Brasília na sexta-feira expressando a confiança do governo americano nas instituições brasileiras e reforçando a importância de confiar no sistema eleitoral do país, além de transmitir essa confiança aos eleitores.

Tanto a nota quanto as declarações de hoje foram uma clara referência às alegações de fraude que têm sido feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e que ele repetiu ao receber a missão enviada por Joe Biden no Planalto.

O diretor do Conselho de Segurança Nacional não quis entrar em detalhes quando foi questionado sobre a conversa com Bolsonaro sobre o cenário eleitoral no Brasil e a vinculação feita pelo presidente brasileiro, segundo O GLOBO apurou, com a eleição americana de 2020. O funcionário limitou-se a dizer que na conversa não se falou sobre Trump e mudou rapidamente de assunto.

— Com ambos países (Brasil e Argentina) perdemos quatro anos e temos de recuperar o tempo pedido — concluiu Gonzalez.

Nesta segunda, três dias depois da visita dos enviados de Biden, o deputado Eduardo Bolsonaro postou numa rede social fotos de um encontro que teve com Tump, hoje morando em sua propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida. Na postagem, o deputado afirma que os dois afirmando estão “juntos em convergência de ideias”.

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