EUA admitem que ajuda humanitária à Venezuela buscava apoiar Guaidó

EUA admitem que ajuda humanitária à Venezuela buscava apoiar Guaidó

18:53 - Agência do governo diz que operação não foi planejada de acordo com critérios técnicos e humanitários

Uma operação apoiada pelos Estados Unidos para enviar ajuda à Venezuela em 2019, que terminou em um impasse violento na fronteira com a Colômbia, não foi planejada de acordo com critérios técnicos e humanitários, segundo uma auditoria do órgão americano envolvido na ação.

Relatório da Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (Usaid, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira (29), aponta que funcionários foram instruídos a alinhar as decisões da operação "para reforçar a credibilidade do governo provisório".

Semanas antes do envio da ajuda, o governo de Donald Trump havia reconhecido o opositor Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela e apoiado a criação de um governo interino que deveria promover uma transição política no país em substituição ao regime de Nicolás Maduro.

A auditoria afirma ainda que a liderança da Usaid orientou os funcionários a minimizar o financiamento às agências das ONU (Organização das Nações Unidas), embora tivessem infraestrutura na Venezuela para entregar esses produtos —porque acreditava que eles eram simpáticos ao governo de Maduro.

A operação foi anunciada para socorrer os venezuelanos, que passavam fome e enfrentavam desabastecimento de medicamentos, mas os Estados Unidos organizaram de maneira que os suprimentos fossem transportados através da fronteira colombiana por aliados de Guaidó.

O ditador Nicolás Maduro classificou a ação como uma violação da soberania nacional, e forças de segurança venezuelanas incendiaram o comboio.

​Um mês depois, vídeos e imagens obtidos pelos New York Times mostraram que as forças de segurança de Maduro, ao lado de gangues alinhadas com o regime, atacaram manifestantes, que estavam armados com pedras e coquetéis molotov. No meio da confusão, um dos caminhões de ajuda pegou fogo, desencadeando uma acirrada troca de acusações sobre quem era o responsável pelo incêndio —os opositores ou os homens de Maduro.

O episódio desencadeou uma condenação ampla do governo venezuelano. Na altura, o vice-presidente americano, Mike Pence, escreveu que “o tirano de Caracas dançou” enquanto seus asseclas “incendiavam alimentos e remédios”, e o Departamento de Estado divulgou um vídeo dizendo que Maduro ordenara que os caminhões fossem queimados.

A oposição venezuelana mostrou imagens dos caminhões em chamas, que foram reproduzidas por dezenas de sites noticiosos e emissoras em toda a América Latina.

Das 368 toneladas de suprimentos enviadas para a região fronteiriça, apenas 8 foram entregues à Venezuela, com o restante distribuído na Colômbia ou embarcado para a Somália, de acordo com o relatório da Usaid.

“O governo bolivariano alertou em fevereiro de 2019 sobre a fraude da suposta ajuda humanitária dos Estados Unidos em Cúcuta”, escreveu nesta sexta (30) o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, em suas redes sociais, referindo-se à cidade colombiana para onde grande parte da ajuda foi enviada. "Hoje, a própria Usaid reconhece que fez parte de uma operação política destinada a mudar um governo."

“Nunca foi uma ação humanitária, mas sim uma operação secreta”, escreveu o ministro da Informação, Freddy Ñañez, em um comunicado por email. “A ajuda humanitária foi a desculpa com a qual tentaram romper nossa soberania territorial.”

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu aos pedidos de comentário da agência de notícias Reuters.

Após o impasse na ajuda em 2019, o governo de Maduro começou a permitir progressivamente um maior influxo de ajuda externa e uma presença ampliada de organismos humanitários internacionais.

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