Estratégia da Argentina para lidar com crise cria tensão com Brasil

Estratégia da Argentina para lidar com crise cria tensão com Brasil

A ferramenta argentina para limitar o comércio são as licenças não-automáticas de importação

Engana-se quem imaginou que os obstáculos para uma melhora na relação entre Brasil e Argentina eram apenas ideológicos.

Esse foi o aspecto que predominou e, de fato, atrapalhou o vínculo, na campanha eleitoral argentina de 2019 e no começo do governo do peronista Alberto Fernández. Mas surgiram outras dificuldades, acentuadas pela dramática crise econômica provocada pela pandemia. A economia argentina pode sofrer retração superior a 10% este ano, e para enfrentar este cenário sombrio, a Casa Rosada está apelando a mecanismos de controle do comércio exterior. Mecanismos, digamos, non sanctos.

Seria algo como `exporte para a Argentina sempre que existir como contrapartida um plano de investimento local satisfatório`. A metodologia está prejudicando principalmente o setor automobilístico brasileiro. O plano do governo argentino, explicou o jornalista Horacio Alonso, do Âmbito Financiero, é autorizar a entrada de produtos no país por um sistema que leve em consideração variáveis como níveis de investimento e de participação no mercado. Ou seja, um sistema de cotas condicionadas à injeção de recursos no país.

A ferramenta argentina para limitar o comércio são as licenças não-automáticas de importação. De acordo com a Organização Mundial de Comércio (OMC), as licenças devem ser liberadas num prazo máximo de 60 dias. Empresas do setor automobilístico denunciaram ao governo brasileiro demoras de mais de 90 dias, mas o acordo bilateral para comércio de veículos impõe um prazo de 10 dias. Além de ilegal, essa metodologia é vista pelo governo brasileiro como uma tentativa de atrair investimentos, para depois exportar uma eventual produção para o Brasil com o aproveitamento das vantagens do Mercosul. Por este raciocínio, cogitam-se todas as opções. Até mesmo pular fora do acordo automotivo bilateral.

Assuntos sensíveis como Lula e Venezuela saíram da agenda, mas surgiram outros e estão causando muito malestar em Brasília. Nada como um dia depois do outro nas relações internacionais.

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