Estado Islâmico reivindica ataque que matou dez desativadores de minas no Afeganistão

Estado Islâmico reivindica ataque que matou dez desativadores de minas no Afeganistão

18:36 - Trabalhadores da ONG Halo Trust, que desativa minas terrestres, foram assassinados em acampamento na cidade de Baghlan, perto da capital, Cabul

Dez desativadores de minas foram assassinados a sangue frio e 16 ficaram feridos no acampamento dos trabalhadores da Halo Trust, em Baghlan, cidade do Afeganistão, nesta terça à noite. A informação foi confirmada pela Halo Trust, organização sem fins lucrativos para a qual trabalham. O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico na tarde desta quarta-feira.

De início, o governo afegão atribuiu a responsabilidade ao grupo extremista Talibã, com forte atuação no país. A guerrilha, entretanto, negou ter sido a responsável pelos assassinatos. O diretor da ONG Halo Trust, James Cowen, disse que o braço local do Talibã ajudou os funcionários a se protegerem dos assaltantes.

Nesta terça-feira à noite, pistoleiros entraram no acampamento de desativadores de minas da Halo Trust na província de Baghlan, ao norte de Cabul, capital afegã. No momento do ataque, havia cerca de 110 homens, “membros das comunidades locais, que tinham terminado o trabalho nos campos das minas nos arredores”. Os assaltantes foram “de cama em cama”, disparando “a sangue frio”.

Tanto a polícia de Baghlan quando o porta-voz do Ministério do Interior, Tareq Arian, atribuíram a responsabilidade dos atos ao Talibã. Segundo fontes governamentais ouvidas por El País, a guerrilha frequentemente ataca trabalhadores que atuam em desativação de minas porque eles também desenterram artefatos usados por suas forças. No entanto, a Halo Trust apenas atribui a agressão a um “grupo armado desconhecido”.

— Não sabemos quem foram os atacantes. Poderíamos especular, mas não vou fazê-lo — explicou o diretor executivo da ONG, James Cowan, ex-militar britânico que está à frente do órgão há seis anos.

A guerrilha talibã, que tem como objetivo declarado derrubar o governo afegão, negou o envolvimento e condenou o ataque. Em uma publicação no Twitter, o porta-voz Mujahid Zabihullah afirmou que o grupo estabeleceu relações normais com a ONG e que seus combatentes “nunca levaram a cabo quaisquer atos brutais semelhantes”.

Desde a assinatura de acordo entre o Talibã e Estados Unidos em Doha no ano passado, para assegurar a saída de tropas estrangeiras do Afeganistão, vários atentados e assassinatos ocorreram sem que houvesse qualquer reconhecimento de responsabilidade, o que provoca medo na população.

Entretanto, a guerrilha, que se comprometeu com Washington a não atacar grandes centros urbanos e reduzir o número de vítimas entre civis, não é o único grupo insurgente que opera no Afeganistão. A filial local do Estado Islâmico, que surgiu em 2014, está, muitas vezes, por trás das ações mais brutais.

Um vídeo que a polícia de Baghlan compartilhou com os jornalistas afegãos parece apontar nesse sentido no caso do ataque aos desativadores de minas. No vídeo, um dos sobreviventes diz que, antes de disparar, os assaltantes perguntaram se havia algum integrante da comunidade hazara, povo de origem mongol que vivem principalmente na região central do Afeganistão.

“Chegaram cinco ou seis homens, nos conduziram a uma sala. Primeiro, roubaram nosso dinheiro e nossos móveis, perguntaram quem era o nosso líder e se havia algum hazara entre nós”, diz o sobrevivente no vídeo. O homem foi atingido na cabeça, mas conseguiu escapar por uma janela.

Os hazara, uma minoria étnica que segue a vertente xiita do Islã, estão na mira dos sunitas do Estado Islâmico.

O mais recente atentado contra os xiitas afegãos ocorreu em 8 de maio, contra uma escola para meninas em Cabul, que deixou 85 mortos e 147 feridos. No entanto, nem o Estado Islâmico nem o Talibã assumiram responsabilidade por este e por outros ataques recentes.

Depois de quatro décadas de guerras sucessivas, o Afeganistão está repleto de minas e munições não detonadas. Várias organizações trabalham para eliminar o perigo que isso gera para a população, um esforço que foi redobrado depois que os Estados Unidos tiraram o Talibã do poder, na invasão de 2001.

A ONG Halo Trust atua no país desde 1998. Ela treina moradores locais que conhecem o terreno para realizar o trabalho de retirar as minas terrestres.

A saída das tropas internacionais do Afeganistão, que deve ser concluída no dia 11 de setembro deste ano, coincide com o aniversário da intervenção americana, e deixou a população afegã que trabalhou com exércitos estrangeiros e em ONGs em pânico.

No começo desta semana, o Talibã difundiu uma mensagem tentando tranquilizar a população, dizendo que não deveria temer represálias. O aumento de pedidos de visto, especialmente de tradutores, é um sinal claro da desconfiança provocada pelo grupo.

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