Esquerda se divide na aprovação do acordo com EUA para Alcântara

Esquerda se divide na aprovação do acordo com EUA para Alcântara

PCdoB, PSB e PDT votam com governo para viabilizar pacto que se arrasta há décadas e isolam o PT

Avança no Legislativo o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas Brasil-EUA, que prevê o lançamento de foguetes, espaçonaves e satélites a partir da base de Alcântara (MA). Na semana passada, aComissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprovou a mensagem presidencial enviada em março.

Essa decisão representa o epílogo de um impasse político que ecoava os embates ideológicos da remota Guerra Fria, e persistiu nas últimas duas décadas. Agora o ritual legislativo tende a ser abreviado, por requisição parlamentar, com desfecho rápido numa votação do projeto de lei diretamente no plenário do Congresso.

Alcântara tem o privilégio geográfico da proximidade com a linha do Equador, o que permite economia de até 30% em combustível nos lançamentos. O país investiu, mas não conseguiu viabilizar a base pelo impasse doméstico sobre esse acordo com os EUA, cuja tecnologia de uso dual (civil e militar) está em cerca de 80% dos componentes usados na indústria aeroespacial.

Depois de duas décadas de fracasso político e diplomático, chegou-se aum entendimento que, por ironia, é uma volta ao marco inicial: o Brasil aceitou salvaguardas para garantir proteção a

tecnologia e patentes dos EUA contra de uso ou cópia não autorizados. O Brasil, pelo acordo, não permitirá o uso de Alcântara por países que Washington classifique como suspeitos de apoiar terroristas ou que não sejam signatários do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis. E, também, não poderá aplicar os recursos recebidos pelo aluguel da base no desenvolvimento do próprio programa espacial.

Esse custo político foi aceito como passaporte para ingresso no cobiçado mercado mundial de lançamento de foguetes e satélites, onde negócios são orçados a partir de US$ 1 bilhão. Governos do PT haviam rejeitado esse acordo, mas aceitaram outro, com a Ucrânia em nome, como sempre, d a soberania nacional. Entregaram a base, criaram empresa binacional e torraram cerca de US$ 500 milhões.

Não restou absolutamente nada, exceto o astronômico prejuízo, passível de multiplicação em pendências jurídicas. O fiasco com a Ucrânia explica porque a oposição se dividiu na semana passada, na aprovação do acordo. Num episódio raro, o PCdoB, que governa o Maranhão, isolou o PT. Com auxílio do PSB e do PDT, se somou ao governo Bolsonaro no apoio ao projeto, com as mesmas salvaguardas antes rejeitadas.

A percepção de chances reais de progresso numa região onde predomina a miséria expôs o esgarçamento de uma aliança política que, talvez, fizesse sentido na Guerra Fria. Aparentemente, a esquerda brasileira começou a admitir que o Muro de Berlim caiu, embora isso tenha acontecido há quase 30 anos.

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