Escolha de americano para o BID é contestada por alguns segmentos do Partido Democrata dos EUA

Escolha de americano para o BID é contestada por alguns segmentos do Partido Democrata dos EUA

19:51 - Segundo ex-embaixador dos EUA no Brasil, se esse movimento crescer, Biden poderá fazer mudanças no banco

BRASÍLIA — O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) será um tema importante desde o primeiro momento da presidência de Joe Biden nos Estados Unidos, na avaliação de especialistas que participaram de um debate virtual, nesta quarta-feira, sobre o impacto das eleições nos EUA na América Latina. Segundo Thomas Shannon, ex-embaixador americano no Brasil no período de 2009 a 2013, sob a gestão do ex-presidente Barack Obama, há segmentos no Partido Democrata contra a escolha do americano Maurício Claver-Carone para presidir o BID.

— Há um movimento no Partido Democrata contra o presidente do BID. Vamos ver se tem eco — disse Shannon, que acredita em alguma mudança na instituição de crédito, caso esse movimento ganhe força.

Em setembro deste ano, com 30 votos a favor — incluindo o Brasil — e 16 abstenções, Claver-Carone foi eleito presidente do BID, após uma articulação do presidente Donald Trump, que quebrou uma tradição de 60 anos de história da instituição. Foi a primeira vez que um americano assumiu o banco. Trump atropelou o governo brasileiro, que meses antes havia informado que pretendia lançar uma candidatura própria.

Para o cientista político e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout, Biden faria um "golaço" se devolvesse a presidência do BIB para a América Latina. A seu ver, a forma como Trump usou o banco foi negativa para a região.

— O BID sempre foi dirigido por um latino-americano e é uma tradição que sempre se procurou respeitar. Se Biden quiser fazer um gesto para a América Latina e tentar recompor a relação que foi esgarçada por Trump, seria devolver a presidência do BID. Nesse caso, seria um golaço — afirmou.

Ele acredita que a política externa do governo Biden vai começar no ponto em que a diplomacia de Barack Obama terminou: o reatamento do Cuba. Kalout também crê em uma nova abordagem em relação ao regime do venezuelano Nicolás Maduro.

— O discurso de se recorrer ao uso da força esteve presente no atual momento e, antes disso, a diplomacia americana para a América do Sul se amparava no contexto da não fricção — disse.

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Ricupero, lembrou que a Florida continuará a ter bastante peso nas decisões de Washington. É significativa a população de origem cubana contrária ao socialismo do país caribenho. E o presidente do BID, lembrou Ricupero, é um cubano-americano. Ele disse esperar que o banco se preocupe com a recuperação econômica de todos os países da região, que foram castigados pelos efeitos da pandemia, do desemprego e do aumento da desigualdade social.

No caso específico do Brasil, além da questão ambiental e do respeito aos direitos dos povos indígenas, Ricupero acredita que a preocupação mais imediata de Biden continuará sendo a frequência 5G no Brasil, cujo leilão só deverá acontecer em meados do ano que vem. Os EUA pressionam o governo brasileiro a banir a empresa chinesa Huawei desse serviço, mas não têm tecnologia própria, destacou o diplomata.

Para Ricupero, a derrota de Trump foi um golpe pessoal para Bolsonaro. Ele acredita que a reaproximação entre Brasil e EUA dependerá mais da diplomacia brasileira do que da americana.

— É difícil encontrar, em todo o mundo, um governo que tivesse se identificado tanto com Trump como o governo Bolsonaro. A personalidade, as ideias, a maneira de encarar o mundo — afirmou.

Já o ex-embaixador da Argentina no Brasil e em Washington, Diego Guelar, enfatizou que é preciso superar as diferenças ideológicas e trabalhar juntos para recuperar as economias na região.

— Hoje, temos crise na região e não uma agenda — lamentou.

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