Epidemia ameaça EUA e UE com recaída na recessão

Epidemia ameaça EUA e UE com recaída na recessão

França já prevê contração da economia neste quarto trimestre. Nos EUA, presidente do Fed fala em meses difíceis pela frente, devido à disparada no número de casos de covid19

O avanço da epidemia de covid-19 nos EUA e na Europa ameaça levar essas economias de volta à recessão, após a recuperação do terceiro trimestre. A França já prevê contração neste fim de ano. Os EUA dão sinais de desaceleração.

O segundo “lockdown” da França empurrará a economia de volta a uma queda vertical, além de desacelerar a recuperação em 2020 apesar de as restrições para conter o coronavírus não serem tão severas como as de alguns meses atrás.

No melhor cenário, com as restrições se encerrando em 1º de dezembro e uma rápida retomada
da atividade, o PIB ainda assim cairá 2,5% neste quarto trimestre, disse ontem a agência de
estatística Insee. Se o nível de atividade continuar até o fim do ano nos patamares de novembro,
a contração será mais profunda, alcançando 6%.
O ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, reduziu de 8% para 6% a previsão de
crescimento para 2021, devido à piora neste trimestre, que afetará o próximo ano. Ele observou
que há também o risco de as regras mais rígidas de distanciamento social prejudicarem muitos
setores no longo prazo.
Esse cenário mais pessimista mostra como o retorno da epidemia está transformando a crise
econômica, de um choque forte para uma longa queda acentuada.

“A segunda onda epidêmica e o novo confinamento da população comprometeram a recuperação
e mudaram o ritmo da crise”, disse o Insee. “É bem provável que a situação de saúde e a da
economia continuem ligadas ao menos até o fim do primeiro semestre de 2021.”

O Bundesbank (banco central alemão) alertou na segunda-feira que a economia da Alemanha
pode estagnar ou mesmo encolher neste último trimestre. Economistas ouvidos pela Bloomberg
preveem que a economia da zona do euro terá contração neste fim de ano.

Apesar disso, o Insee disse que o nível de atividade econômica na França está se sustentando
melhor em novembro do que em abril porque as restrições são menos rígidas e os novos
protocolos de saúde permitem que mais empresas continuem a operar. O consumo também está
sofrendo menos, já que uma variedade mais ampla de lojas está aberta.

Le Maire disse que a economia francesa só deverá recuperar em 2022 os níveis de atividade de
2019. E, com base no quadro atual, isso só ocorrerá no final do ano.

A França se tornou ontem o primeiro país da Europa a superar a marca de 2 milhões de casos
confirmados de covid-19, ficando atrás somente de EUA, Índia e Brasil. Após atingir o pico de 87
mil novos casos num único dia, em 7 de novembro, o número de infecções vem caindo. O país
está em lockdown desde 30 de outubro. Mais de 45 mil pessoas já morreram de covid-19 na
França.

Nos EUA, houve mais de 166 mil novos casos na segunda-feira e vários Estados estão adotando
gradativamente medidas de restrição de contatos sociais

Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, disse ontem que, sem um pacote
significativo de apoio à economia, os EUA vão recair na recessão no primeiro semestre de 2021.
Ele apontou para o crescimento menor, de 0,3%, das vendas no varejo em outubro, divulgado
ontem, como sinal de que o aumento do consumo dos últimos meses está perdendo força. "Os
números das vendas no varejo foram um prenúncio de condições econômicas muito mais fracas à
frente", disse Zandi. "É por isso que me preocupo com os próximos meses."

O presidente do Fed (o banco central americano), Jerome Powell, disse ontem que o aumento da
disseminação do coronavírus representa um risco significativo para a economia nos próximos
meses e que é muito cedo para dizer como os resultados positivos quanto a uma vacina
influenciarão as perspectivas.

"Com o vírus agora se espalhando em um ritmo rápido, os próximos meses podem ser muito
desafiadores", disse Powell. Embora testes bem-sucedidos com vacinas sejam "certamente boas
notícias, especialmente no médio prazo, no curto prazo existem desafios e incertezas
significativas", acrescentou Powell. "Mesmo no melhor dos casos, a vacinação generalizada ainda
levará alguns meses."

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