Entidades cobram Biden por risco de acordo dos EUA com Brasil de Bolsonaro

Entidades cobram Biden por risco de acordo dos EUA com Brasil de Bolsonaro

Expectativa é que um acordo entre os dois países seja anunciado na Cúpula de Líderes sobre Clima convocada por Biden para 22 e 23 de abril.

Um grupo de 199 organizações da sociedade civil brasileira divulgou uma carta ao governo americano, alertando sobre o risco que um acordo de cooperação entre os Estados Unidos e o governo Jair Bolsonaro traz para o meio ambiente, os direitos humanos e a democracia. Curta, com apenas seis parágrafos, a carta tem um tom forte. Descreve que, em seu discurso de posse, o presidente Joe Biden mencionou como prioridades de seu governo a luta contra a pandemia, contra a mudança do clima, o racismo e o papel dos Estados Unidos no mundo.

Dizem que o discurso está “sob teste agora”, enquanto a administração Joe Biden negocia um acordo com o governo Bolsonaro sobre a proteção da Amazônia. “As negociações ocorrem longe dos olhos da sociedade civil, que o presidente brasileiro já comparou a um câncer”, diz o texto, que acrescenta que o governo brasileiro comemora tais negociações, que envolveriam recursos financeiros. “O presidente americano precisa escolher entre cumprir seu discurso de posse e dar recursos e prestígio político a Bolsonaro. Impossível ter ambos”, diz a carta.

O governo de Biden vem travando diálogos com o governo de Bolsonaro sobre meio ambiente há cerca de um mês. As negociações são chefiadas, pelo lado brasileiro, pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Pelo lado americano, pelo time do enviado especial de Biden sobre Clima, John Kerry, um habilidoso negociador.

A expectativa é que um acordo entre os dois países seja anunciado na Cúpula de Líderes sobre Clima convocada por Biden para 22 e 23 de abril. O acordo pode envolver transferência de recursos para o Brasil. Na campanha, Biden falou em mobilizar US$ 20 bilhões para a Amazônia. Estes recursos devem vir de outros países também, ser de fontes públicas e privadas, e para todos os países da bacia amazônica.

“O líder extremista do Brasil justificou o putsch de 6 de janeiro nos EUA repetindo as mentiras de Donald Trump sobre fraude na eleição. Dentro de casa, ele ataca os direitos humanos e a democracia. Cooperar com tal governante seria um ato inexplicável. Bolsonaro está promovendo a destruição da Floresta Amazônica e outros biomas, aumentando as emissões do Brasil. Compromete o Acordo de Paris ao retroceder na ambição da meta climática brasileira. Negacionista da pandemia, transformou seu país num berçário de variantes do coronavírus, condenando à morte parte da própria população”, diz o texto da carta das organizações da sociedade civil.

Os signatários afirmam que o governo Bolsonaro desmontou órgãos de fiscalização ambiental, enfraqueceu a legislação e “incentiva invasões de territórios indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e áreas protegidas”.

“Não é razoável esperar que as soluções para a Amazônia e seus povos venham de negociações feitas a portas fechadas com seu pior inimigo. Qualquer projeto para ajudar o Brasil deve ser construído a partir do diálogo com a sociedade civil, os governos subnacionais, a academia e, sobretudo, com as populações locais que até hoje souberam proteger a floresta e todos os bens que ela abriga. Nenhuma tratativa deve ser considerada antes da redução do desmatamento aos níveis exigidos pela legislação brasileira de clima e o fim da agenda de retrocessos encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional. Negociar com Bolsonaro não é o mesmo que ajudar o Brasil a solucionar seus problemas atuais”, diz a carta.

“Negociações e acordos que não respeitem tais pré-requisitos representam um endosso à tragédia humanitária e ao retrocesso ambiental e civilizatório imposto por Bolsonaro. A eleição de Joe Biden representou a vontade dos Estados Unidos de estar do lado certo da história. Fazer a coisa certa pelos brasileiros seria uma grande demonstração disso”.

Entre as organizações que assinam estão Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), 350.org Brasil, Fundação Avina, Fundação SOS Mata Atlântica, Fundação Tide Setubal, Greenpeace Brasil, Instituto ClimaInfo e o Observatório do Clima.

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