Embarcação do Irã dribla sanção americana e entrega petróleo à Venezuela

Embarcação do Irã dribla sanção americana e entrega petróleo à Venezuela

20:39 - Cerca de 2 milhões de barris de óleo leve foram descarregados em porto venezuelano; produto é necessário para o país processar seu próprio óleo pesado

Lucia Kassai e Fabiola Zerpa, da Bloomberg

CARACAS — Um petroleiro iraniano conseguiu driblar o bloqueio dos Estados Unidos e entregou combustível à Venezuela. A embarcação, identificada como Honey, desligou seu sinal de satélite em 7 de agosto, quando estava a caminho da Venezuela, e começou a descarregar, no sábado, cerca de 2 milhões de barris de óleo leve no Porto José, que fica na região nordeste do país sul-americano, de acordo com relatórios e fontes familiarizadas com a situação. A carga é oriunda do campo de Pars Sul, no Golfo Pérsico.

O combustível provavelmente será usado pela petroleira estatal venezuelana PDVSA para misturar ao óleo pesado do país e ajudar a impulsionar a produção de petróleo na bacia do rio Orinoco. A Venezuela, cujas reservas estão entre as maiores do mundo, precisa do petróleo leve para processar seu próprio óleo pesado. O país costumava importar o produto dos Estados Unidos, mas foi impedido pelo governo de Donald Trump de fazê-lo desde o ano passado.

A Venezuela tem lutado para evitar uma queda na produção de petróleo depois que as sanções dos EUA cortaram o acesso a equipamentos e compradores de seu combustível. A produção venezuelana caiu para 339 mil barris por dia em julho, os níveis mais baixos vistos desde 1910, de acordo com dados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e do governo compilados pela Bloomberg.

Esta é a primeira vez que a Venezuela importa petróleo não processado do Irã. É também a primeira importação do tipo desde abril de 2019, quando o país obteve uma remessa do óleo nigeriano Agbami para misturar com seu óleo pesado e produzir seu carro-chefe Merey 16, o tipo mais exportado pelos venezuelanos.

O Ministério da Informação da Venezuela, a PDVSA e o Ministério das Relações Exteriores do Irã não se pronunciaram sobre o caso.

Os Estados Unidos vêm intensificando as sanções contra ambos os países, deixando pouco espaço para as empresas trabalharem com o regime do presidente Nicolás Maduro.

No mês passado, o governo americano apreendeu quatro navios-tanque que transportavam gasolina iraniana com destino à Venezuela, em uma ação sem precedentes. Os petroleiros transportavam 1,116 milhão de barris de petróleo, que foram confiscados com a ajuda de “parceiros estrangeiros”, segundo disse o Departamento de Justiça dos EUA na época.

Depois que as empresas russas Rosneft Trading SA e TNK Trading SA e a mexicana Libre Abordo SA cortaram relações com o regime de Maduro, Caracas expandiu os negócios com o Irã.

Neste ano, Teerã forneceu 1,5 milhão de barris de gasolina para a PDVSA e alimentos para o primeiro supermercado iraniano no país sul-americano.

A escassez de gasolina obriga os venezuelanos a ficar na fila por horas e até dias, enquanto Caracas sofre racionamento de suprimentos.

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