Embaixador palestino propõe outro escritório na parte árabe de Jerusalém

Embaixador palestino propõe outro escritório na parte árabe de Jerusalém

Resultados da viagem de Bolsonaro a Israel causaram mal-estar entre membros do próprio governo brasileiro, dizem fontes

Num encontro no Itamaraty ontem, o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, propôs que o governo abra também um escritório de negócios na parte oriental de Jerusalém como forma de responder às reações de nações árabes à viagem do presidente Jair Bolsonaro a Israel. Durante a visita, encerrada ontem, Bolsonaro não anunciou a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, como prometera. Em vez disso, o presidente brasileiro anunciou a abertura de um escritório de negócios em Jerusalém.

Alzeben disse ter ouvido do secretário-geral do Itamaraty, Otávio Brandelli, que o governo brasileiro continua firme em manter os laços e a cooperação com os países árabes.

- O Brasil ficaria numa posição cômoda e equilibrada com os dois escritórios de negócios -  disse o embaixador ao GLOBO sobre a abertura de um escritório na parte oriental de Jerusalém, de maioria árabe e reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

O diplomata pediu, ainda, a Brandelli, que converse com o chanceler Ernesto Araújo para que o presidente da República receba os embaixadores islâmicos em uma reunião. A idéia é esclarecer as intenções do governo brasileiro ao se aproximar de Israel.

Na avaliação de parte da área diplomática e fontes das áreas econômica e de comércio exterior, a visita do presidente a Israel pode ter sido um pas so em falso na política externa brasileira. Existe o temor de retaliações pelos países islâmicos, que afetariam o Brasil não apenas na esfera comercial, mas também em outras frentes, como nas licitações internacionais e em eleições em fóruns multilaterais das Nações Unidas.

Segundo fontes graduadas da diplomacia brasileira, o Brasil rompeu a tradição diplomática do equilíbrio e do respeito às resoluções da ONU. Uma das conseqüências poderá ser a perda da credibilidade e, por tabela, do status de `interlocutor confiável`. Outra preocupação diz respeito à segurança nas embaixadas brasileiras nos países árabes.

Teme-se má vontade, por exemplo, quanto à participação de empresas brasileiras em licitações de obras nos mais de 60 países islâmicos. Outro problema poderia ser o impedimento para brasileiros serem eleitos, em 2021, para um mandato de dois anos como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU.

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