Embaixador dos EUA pede fim do desmatamento

Embaixador dos EUA pede fim do desmatamento

Todd Chapman diz que Brasil tem nova oportunidade na COP-26, em novembro, de mostrar como pretendete por em prática plano para zerar desmatamento ilegal e emissões

O embaixador dos EUA em Brasília, Todd Chapman, disse ontem que o Brasil terá que mostrar na conferência do clima, em novembro, um plano sobre como pretende zerar o desmatamento ilegal até 2030 e as emissões de carbono até 2050, ambos compromissos que o país assumiu perante a comunidade internacional.

Segundo o diplomata, de nada adiantará o país apresentar seu passivo ambiental, relativamente melhor do que o dos demais países, se a Amazônia continuar a ser desmatada no ritmo atual, com seguidos recordes. Para o embaixador, isso poderá fazer a diferença para o Brasil sair como “herói” ou “vilão” ambiental no contexto da COP-26, que ocorre na Escócia em novembro.

Chapman, que deixará a missão diplomática nos próximos dias, recebeu jornalistas para um café da manhã em sua residência oficial. Na conversa, ele afirmou que o Brasil pode ser um “líder mundial” em meio ambiente. E reconheceu que o país tem programas e iniciativas “progressistas” como o uso de carros a etanol e a energia hidrelétrica. Mas disse que argumentos como o de que o país tem mais florestas preservadas do que outras nações não serão aceitos nas instâncias internacionais para justificar a alta no desmatamento.

“Vocês poderiam anunciar tudo isso com orgulho, se vocês não estivessem desmatando a Amazônia. Resolvido isso, vai abrir portas para vocês”, afirmou o embaixador. “Este é o seu momento de não ser o vilão e ser o herói. Este é o seu momento. Todo o Brasil tem que se juntar para ser o herói, que pode ser, e que em muitos aspectos é.”

Chapman classificou como “importantes” os compromissos assumidos por Bolsonaro em uma carta enviada ao presidente dos EUA, Joe Biden, em abril. Na ocasião, o brasileiro prometeu acabar com o desmatamento ilegal ao fim desta década, além de tornar o Brasil neutro em emissões de carbonos até 2050.

“Esses compromissos são importantes. Agora, temos que ver como fazer. Eu acho que essa [COP-26] é a nova oportunidade de o governo mostrar o plano de como vai chegar a isso”, disse, acrescentando que seria importante a comunidade internacional conhecer esse plano antes da conferência. “[Seria melhor] apresentar antes, chega lá com isso anunciado. E todos podem aplaudir. Esse é o caminho.”

Chapman também sugeriu que o Brasil se dedique a negociar na conferência a criação de um mercado internacional de carbono, pois é o país que mais tende a ganhar com isso.

De saída do Brasil, o embaixador disse que a prioridade dada ao clima talvez tenha sido o tema em que houve maior mudança na transição entre os presidentes Donald Trump e Joe Biden, que assumiu em 20 de janeiro.

“Talvez [meio ambiente] foi o tema em que houve mais mudança na posição entre as gestões Trump e Biden. Não em termos da importância do tema, mas talvez na análise de prioridade”, afirmou. “Ficou bastante claro para mim, fazendo essa transição de governos, que fo necessário aumentar a importância disso em minhas conversas em todo o governo [brasileiro]. E foi exatamente o que eu fiz.” Ele disse que “há preocupação com o [fato de que o] desmatamento ilegal no ano passado e deste ano continuam fortes”.

“É um tema que é importante de buscar soluções, e eu diria soluções rápidas, para mostrar ao mundo a dedicação do Brasil, de todo o país”, disse. “Não somente de um ministério, mas do setor privado, de governadores, dos grupos indígenas. Esse é um projeto da sociedade e não de um ministro ou outro.”

No dia 9, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou que o desmatamento na Amazônia bateu recorde pelo quarto mês seguido em junho, atingindo 1.069 quilômetros quadrados. A cifra representa uma alta de 2,7% sobre o mesmo mês de 2020. No acumulado do primeiro semestre, o salto no desmatamento foi de 17% em comparação ao mesmo período do ano passado.

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