Embaixador argentino assegura que país seguirá comprando produtos brasileiros e diz que ´economia está forte

ENTREVISTA AL EMBAJADOR CARLOS MAGARINOS

Embaixador argentino assegura que país seguirá comprando produtos brasileiros e diz que ´economia está forte

10/05/2018 - O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magarinos, garante que não há perspectiva de retração econômica em seu país por causa da crise cambial.

O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magarinos, garante que não há perspectiva de retração econômica em seu país por causa da crise cambial.

Ele afirmou ainda que os exportadores brasileiros podem ficar tranqüilos, pois os argentinos não deixarão de comprar manufaturados do Brasil.

Qual a mensagem que seu país daria aos investidores e à comunidade internacional como um todo?

De tranqüilidade. Há pressão do mercado cambial, pressão sobre a moeda, mas não é algo diferente do que os outros países estão sofrendo. A Argentina está passando por isso e resolveu se antecipar ao problema. Estamos fazendo o que um país membro da comunidade internacional tem de fazer, porque o nosso programa gradual de reajustes tem de ser financiado. Sabemos que as condições financeiras do mercado internacional estão mudando e vamos tomar as decisões necessárias para que as taxas de juros de nossa dívida não aumentem exageradamente. Aprendemos a não ignorar os sinais do mercado ou a pressão sobre a moeda. Aprendemos com a crise anterior (em 2001) que temos de proteger a população, principalmente a mais carente.

A Argentina é o principal comprador de manufaturas do Brasil. Se a economia argentina entrar em recessão, vocês comprarão menos produtos brasileiros?

Sinceramente, vocês não têm com o que se preocupar, principalmente porque a Argentina está fazendo de tudo para assegurar o crescimento da economia. Vocês deveriam se preocupar se não estivéssemos fazendo alguma coisa. Eu compreendo que as pessoas fiquem nervosas, porque a Argentina teve uma trajetória que pode gerar alguma dúvida. Isso é normal, e nós temos a obrigação de explicar. Nosso presidente está trabalhando para solucionar o problema da Argentina. Por isso, vocês têm de ficar tranqüilos, que nós vamos continuar a crescer.

Não temos um cenário em que o PIB da Argentina vai se contrair. O país está mais preparado para enfrentar essa crise?

A economia argentina está forte, está muito bem. As reservas do Banco Central, em dezembro de 2015, eram de US$ 25 bilhões, e a inflação estava em 45%. Nessa situação, com 30% de pobreza e desemprego alto, Mauricio Macri tomou posse. Hoje, a inflação ainda está alta, mas com tendência de baixa. As reservas do Banco Central, no início deste ano, estavam em US$ 63 bilhões. Em dois anos, foram criados 300 mil empregos. O PIB, em 2016, no primeiro ano de Macri, teve uma contração de 1,8%, e, este ano, deve ter crescimento entre 3% e 3,5%.

A crise argentina pode afetar as negociações do Mercosul com parceiros internacionais, como a União Européia?

A Argentina tem um compromisso muito grande com a abertura do país ao mercado internacional. Nosso governo quer fechar o acordo com a União Européia já. Hoje, se possível. Eu não gostaria que interesses empresariais, que têm medo do acordo, escondam suas intenções atrás da crise da Argentina. Isso seria injusto.

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