Em resposta a Lula, Araújo defende condução do Itamaraty e acusa ex-presidente de 'hostilizar os EUA e a Europa'

Em resposta a Lula, Araújo defende condução do Itamaraty e acusa ex-presidente de 'hostilizar os EUA e a Europa'

Em seu discurso mais cedo, ex-presidente disse que, antes, Brasil era 'respeitado pela China, pela Rússia, pela Índia, pelos EUA'; chanceler de Bolsonaro diz que 'aqui não é Lulaland'

Horas depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar, em discurso, a condução da política externa no governo Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo fez uma uma série de ataques à atuação do Itamaraty no governo do petista (2003-2010). Segundo ele, "na era Lula" a diplomacia brasileira "hostilizou os EUA e a Europa" e "fechou a América do Sul para criar um bloco coeso de corrupção, terrorismo e crime".

“Só para recordar como era a política externa da Era Lula: hostilizar os EUA e a Europa, ignorar o Japão, discriminar Israel, desvincular o Brasil dos países desenvolvidos e das democracias, fechar a América do Sul para criar um bloco coeso de corrupção, terrorismo e crime”, escreveu Araújo, em uma sequência de quatro publicações no Twitter, na noite desta quarta.

Na série de tuítes, Araújo mostrou-se incomodado com o discurso do petista, e escreveu ao final: "Aqui não é Lulaland".

No caso dos EUA, Lula realizou 12 visitas oficiais àquele país, além de um encontro com o então presidente George W. Bush semanas depois de sua vitória nas urnas, em 2002. Também se encontrou em pelo menos duas ocasiões com seu sucessor, Barack Obama, em Washington e em Nova York, às margens da Assembleia Geral da ONU.

Na fala desta quarta, o ex-presidente defendeu a posição de aprofundar as relações com países de fora do eixo EUA-Europa, citando a criação dos Brics e a Unasul, e fez críticas ao alinhamento automático com Washington.

— Quando é que nós vamos tomar conta do nosso nariz? Quando é que eu vou acordar de manhã sem ter que pedir licença pra respirar para o governo americano? — declarou. — O Brasil tinha um projeto de soberania.

No caso europeu, além da proximidade de Lula com lideranças do continente, como o presidente francês Nicolás Sarkozy e o premier espanhol José Luis Zapatero — citado pelo petista em seus agradecimentos nesta quarta —, foram assinados acordos cruciais de defesa, como no caso do projeto do submarino nuclear, com a França.

Além de dizer que a diplomacia Lula "discriminou Israel", Araújo afirmou que o governo petista "confraternizou com antissemitas". Apesar das posições pró-Palestina e eventuais críticas à atuação de Israel, Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar o Estado de Israel.

Durante a visita de Jair Bolsonaro ao país, em 2019, ele foi lembrado por jornalistas que Lula foi ao território palestino da Cisjordânia em sua passagem e questionado sobre os motivos de o atual chefe de Estado não fazê-lo. O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou então que “não dá para comparar coisas heterogêneas”.

'Lulólatras'
Em seu discurso em São Bernardo do Campo pela manhã, Lula usou boa parte do tempo para falar de política externa. Logo na abertura, fez uma série de agradecimentos a lideranças internacionais, como o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o senador americano Bernie Sanders. Ali, recuperou uma das linhas centrais de sua diplomacia, a expansão do papel do Brasil no mundo e a busca por protagonismo, fazendo um contraponto às posições de Araújo.

— O Brasil era o país que tinha mais felicidade, que era respeitado pela China, pela Rússia, pela Índia, pelos EUA, tínhamos um projeto de nação. Será que o Bolsonaro não viu nada do que a gente fez? — afirmou Lula.

Na resposta, Araújo menciona temas recorrentes em suas falas, como a “defesa da agenda anti-vida e anti-família” na ONU, em governos anteriores, ataca a ligação dos governos petistas com a Venezuela de Hugo Chávez e aponta o aumento dos laços entre o Brasil e a China de “submissão”.

Ao concluir, o chanceler ataca seus críticos, usando o termo “lulólatras”.

“Dobrem a língua antes de falarem da nossa política externa que luta e trabalha pela liberdade, identidade, segurança, desenvolvimento, soberania e grandeza da nação brasileira. Aqui não é Lulaland, aqui é Brasil”, escreveu Araújo.

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