Em nova carta, 'militares da ativa' advertem Macron sobre ameaças à 'sobrevivência' da França

Em nova carta, 'militares da ativa' advertem Macron sobre ameaças à 'sobrevivência' da França

15:50 - Signatários anônimos afirmam que 'guerra civil está se formando' no país devido a 'concessões' do governo ao islamismo; mais de 163 mil pessoas assinaram o texto em endosso

PARIS — Menos de um mês após 20 generais da reserva publicarem uma carta aberta sugerindo uma intervenção para defender a França de uma "guerra civil iminente", um novo pronunciamento repercute no país. Em um texto divulgado na noite de domingo, um grupo anônimo de autointitulados militares da ativa afirmou que a "sobrevivência" francesa está em jogo devido às "concessões" feitas pelo governo ao islamismo.

Ao contrário da carta de abril, a desta semana é aberta para a assinatura de cidadãos franceses que concordem com seu conteúdo. Até meio-dia de segunda, no horário de Brasília, ela já reunia o apoio de mais de 163,1 mil pessoas, segundo a revista de extrema direita Valeurs Actuelles, que publicou as duas correspondências.

"Se estourar uma guerra civil, o Exército irá manter a ordem em seu próprio solo", diz o texto de domingo. "Ninguém deseja uma situação tão terrível (...), mas uma guerra civil está se formando na França e vocês sabem disso muito bem", dizem ao presidente Emmanuel Macron e ao seu Gabinete. Em resposta, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, disse que falta "coragem" aos signatários anônimos.

Segundo a Valeurs Actuelles, cerca de 2 mil militares assinaram o texto, afirmando terem "entrado recentemente na carreira" e conclamando as autoridades a agirem não pela cobertura midiática ou para se reelegerem, mas pela "sobrevivência do nosso país, do seu país":

"Somos o que os jornais chamam de 'geração de fogo'. Homens e mulheres, soldados da ativa, de todas as Forças Armadas, de todas as patentes e sensibilidades, que amam o nosso país. Essas são nossas únicas reivindicações à fama", diz a carta. "E se não podemos, por lei, nos expressar com o rosto descoberto, é igualmente impossível ficar em silêncio."

A carta afirma que o governo "pisou na honra" dos generais signatários da primeira correspondência — a ministra da Defesa, Florence Parly, afirmou que os envolvidos serão punidos, e o chefe do Estado-Maior, François Lecointre, disse que os militares que estão na reserva poderão ser imediatamente reformados. Diante disso, os militares da ativa afirmaram que cabe a eles ter "a honra de falar a verdade" desta vez:

"No Afeganistão, no Mali, na República Centro-Africana, ou em qualquer outro lugar, muitos de nós experimentamos fogo inimigo. Alguns de nós perderam companheiros. Eles ofereceram suas vidas para destruir o islamismo ao qual vocês estão fazendo concessões em nosso solo", afirmaram.

Eles dizem ainda que serviram na Operação Sentinela, instalada após a onda de ataques terroristas de janeiro de 2015, entre eles o contra a revista satírica Charlie Hebdo. Ela pôs 10 mil soldados e 4,7 mil policiais nas ruas para proteger pontos considerados vulneráveis ao terrorismo, e foi ampliada após os ataques coordenados de novembro daquele mesmo ano, quando 130 pessoas morreram.

Neste período, afirmam ter observado com seus próprios olhos "os subúrbios abandonados e a acomodação com a criminalidade". Dizem ainda que para várias comunidades religiosas que foram instrumentalizadas, a França não significa "nada, mas sim um objeto de sarcasmo, desprezo e até ódio".

'Isso é coragem?'
À AFP, um integrante da alta cúpula das Forças Armadas disse que a carta não deve ficar sem resposta. Será, ele disse, um lembrete do respeito à hierarquia e ao código militar e da necessidade dos militares se manterem politicamente neutros:

— É possível ter convicções pessoais, mas as Forças Armadas são apolíticas e têm lealdade absoluta ao presidente eleito. Se você se sente mal, pode deixar o Exército com a consciência limpa.

Em uma entrevista ao canal BFM, Darmanin criticou o anonimato dos signatários:

— Eu acredito que quando você está no Exército, não se deve fazer esse tipo de coisa anonimamente — afirmou. — Essas pessoas são anônimas. Isso é coragem? Não revelar sua identidade?

O clima envolvendo os militares franceses está conturbado desde a publicação da carta de abril, que foi assinada por “vinte generais, 100 oficiais de alto escalão e mais de mil soldados”. O procurador-geral de Paris, Rémy Heitz, rejeitou um pedido de parlamentares de esquerda para levá-los a julgamento, afirmando que “nenhuma ofensa criminal” foi cometida.

À época, o premier Jean Castex disse que a iniciativa dos generais era "contrária a todos os nossos princípios republicanos". Ele criticou ainda o endosso de Marine Le Pen, candidata à Presidência nas eleições de 2022 pela Reunião Nacional (RN), herdeira do antigo partido de extrema direita Frente Nacional (FN).

Tirando proveito da situação, Le Pen convidou os militares signatários a "se juntarem a ela". O aceno de Le Pen, que se aproxima de Macron nas intenções de voto e levanta preocupações na base governista, marca uma campanha eleitoral que deverá ter a imigração e a segurança nacional como assuntos-chave.

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