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Em meio a queda da Selic, renda fixa atrelada à inflação se destaca

Em meio a queda da Selic, renda fixa atrelada à inflação se destaca

Investimentos: Ações se recuperam e Ibovespa registra valorização de 3,57% no mês

Setembro termina como a imagem oposta de agosto no terreno dos investimentos. O último mês do terceiro trimestre trouxe uma retomada da aposta 110 risco, com a bolsa no topo do ranking dos ganhos, mas seguida de perto pelos títulos prefixados e papéis atrelados à inflação.

Se em agosto a tônica foi a busca por proteção, o que levou ativos de proteção como o ouro a uma elevação de quase 18% e a moeda americana a Ficar perto dos dois dígitos de valorização, em setembro o metal precioso recuou 3,86%, enquanto o dólar comercial registrou apenas 0,33% de alta. Os resultados da commodity e da moeda ficaram até mesmo abaixo da variação da taxa Selic, que marcou 0,46% no mês, e do referencial conservador pós-fixado de mercado, o CDI, com elevação igual.

`Em setembro houve uma recuperação quase que total da deterioração que aconteceu em agosto`, afirma Giovani Silva, executivo-chefe de investimentos da BlueLine Asset. O cenário consideravelmente mais positivo se consolidou porque grande parte dos temoresde analistas e investidores arrefeceu, principalmente aquele ligado à guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, reforçou a sinalização para a possibilidade de retomada das negociações sobre o impasse, além de adia r por 15 dias a en trada em vigor de tarifas sobre importações do país asiático. `Tivemos um mês um pouco mais calmo nesse front, o que deu suporte às bolsas internacionais`, aponta Bernardo Zerbini, chefe de estratégia macro da AZ Quest.

O momento externo favorável também ganhou força com a ação dos bancos centrais globais. `Em setembro, o Federal Reserve [Fed,o banco central americano] fez o segundo corte em dez anos e o Banco Central Europeu cortou a taxa em 10 pontos-base, para 0,50% negativo`, resume Silva. `E o movimento do BCE veio com um ´QJf [programa de compras de ativos] sem tempo para acabar. Além disso, a autoridade euro peia colocaram medidas de liquidez favorecendo os bancos.`

No Brasil, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 5,50% ao ano, renovando a mínima histórica. Mas a autoridade monetária foi ainda mais longe e sinalizou estar inclinada a mais cortes. De acordo com Zerbini, `o BC se mostrou um pouco mais ´dovish´ do que o mercado imaginava, mais confortável com o cenário de inflação e juros`. Com isso, o mercado passou a reprecificar o patamar da Selic para este ano e o próximo, com muitas casas agora apostando em uma taxa abaixo de 5% já em 2019.

A própria Az Quest estima que a Selic termine este ano em 4,75% e recue para 4,5% em fevereiro de 2020. `Mesmo com depreciação cambial, não teve nenhuma revisão de inflação para cima nem pelas economias nem pelo mercado, pela inflação implícita nos títulos públicos`, diz Zerbini. Com a postura mais flexível do BC e a ajuda de um cenário externo mais favorável, os papéis de taxas prefixadas e de juro real tiveram fortes ganhos em setembro. Apesar de permanecer atrás dos 3,57% do Ibovespa em setembro, os índices de renda fixa IM A- B, que representa uma cesta de títulos públicos atrelados à inflação mais uma taxa de juro real, e o 1RF-M, de papéis prefixados de várias maturidades, registraram o segundo e terceiro melhores resultados do mês passado.

O IMA-B acumulou 2,86% cie avanço, enquanto o 1RF-M teve 1,44% de alta. No ano, o índice de papéis atrelados à inflação acumula valorização até maior do que a do próprio referencial da bolsa. O Ibovespa apresenta alta de 19,18% em nove meses, mas o IMA-B alcança 19,55%. O IRE-M, por sua vez, fechou o terceiro trimestre com 9,99%.

O fechamento da ponta longa da curva de juros adicionou o maior impulso aos resultados do mês. O IMA-B 5+, com título de vencimento igual ou acima de cinco anos, registrou uma subida de 3,73% no mês passado, enquanto a metade mais curta, o IMA-B 5, de papéis abaixo de cinco anos, aj ucl ou o ind icador geral com alta de 1,74%. No caso dos prefixados, o 1RF-M 1, de títulos até um ano, acumulou em setembro ganho de 0,64%. Já o IRF-M 1+, de papéis acima cie um ano, contribuiu com subida de 1,87% para o indicador geral.

A curva de juros longa respondeu aos dados positivos da economia brasileira como, por exemplo, um nível de abertura de vagas formais mais elevado que o esperado, de 121,4 mil postos em agosto, e pela postura mais inclinada ao afrouxamento monetário exibida pelo Comitê de Política Monetária do BC (Copoin), resume o analista do B!1 Investimentos Renato Odo. `A renda fixa assimilou a recente redução da Selic e os sinais de afrouxamento monetário emitidos pelo comunicado e pela ata do Copom, com reflexos benignos nas curvas de juros.`

Conforme Zerbini, da AZ Quest, `as carteiras mais alongadas acabaram se beneficiando pela queda dos juros`. Mas, acrescenta, `quem tinha alocação de curto prazo em prefixado e em juro real também se beneficiou com o ciclo da política monetária e pelas previsões confortáveis do BC em relação a inflação, que mostram espaço para continuar o corte de taxas`.

Em relação ao câmbio, Silva, da BlueLine, explica que a estabilidade do dólar em setembro, mesmo após a forte alta de agosto, indica que o mercado ai nela vê o risco de uma guerra comercial longe de acabar. `O câmbio nâo devolveu o avanço mesmo com bolsa subindo e, com isso, o mercado está dizendo que a guerra comercial está longe de ser resolvida.` Além disso, `a queda do diferencia! de juros em relação aos EUA e o fato de as empresas brasileiras estarem trocando dívida externa por local acabam gerando pressão na taxa de câmbio`.

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