Em meio à pandemia, Brasil da ultimato a diplomatas venezuelanos para abandonarem o país

Em meio à pandemia, Brasil da ultimato a diplomatas venezuelanos para abandonarem o país

País diz que prazo para saída é 'improrrogável'; ala militar contestou decisão do governo de retirar brasileiros de Caracas e de expulsar venezuelanos

Quase dois meses depois de ter dado 60 dias a Jair Bolsonaro recordou sua decisão em notificação oficial enviada aos representantes do governo Nicolás Maduro, na qual determina que todos têm até o próximo dia 2 de maio para deixar o território nacional, em caráter definitivo.
Ajuda consular:
A lista inclui os diplomatas e funcionários da embaixada em Brasília e dos consulados venezuelanos no Rio, São Paulo, Boa Vista, Belém, Recife e Manaus.
Críticas:
Depois de ter retirado todos os diplomatas brasileiros de Caracas, recentemente, o governo brasileiro exige, agora, que seja cumprida sua determinação de expulsar do país os venezuelanos, com um prazo improrrogável. A primeira notificação fora enviada a todas as sedes diplomáticas no começo de março, no mesmo momento em que o Palácio do Planalto e o Itamaraty decidiram fechar definitivamente suas representações na Venezuela.
Risco democrático:
Do total de expulsos, pelo menos 28 diplomatas venezuelanos estão com suas credenciais vencidas. Em fevereiro passado, o governo Maduro anunciou que uma das diplomatas, Irene Rincón, seria promovida a encarregada de negócios, mas a decisão não foi reconhecida pelo governo brasileiro.
Comunicação mínima
Desde que o governo Bolsonaro reconheceu a “presidência encarregada” de Juan Guaidó, à frente da Assembleia Nacional (AN) controlada pela oposição e considerada ilegítima pelo Palácio de Miraflores, em janeiro de 2019, as relações como governo Maduro se limitaram a um canal de comunicação entre militares dos dois países. De fato, a ala militar do governo Bolsonaro se opôs, segundo fontes, à retirada dos diplomatas de Caracas e, também, à expulsão dos venezuelanos de Brasília.
Pandemia:
Uma das incógnitas que se instala a partir de agora é saber se a embaixada e todos os consulados serão entregues aos representantes de Guaidó no Brasil. A embaixadora Maria Teresa Belandria foi reconhecida pelo governo Bolsonaro, é convidada para eventos e reuniões com autoridades do governo e circula há mais de um ano no meio diplomático de Brasília.
— Acho complicado que entreguem a embaixada para a embaixadora de Guaidó enquanto não for eleito um novo governo na Venezuela — disse uma fonte brasileira.
Mas as especulações são grandes em Brasília. O vínculo bilateral está estremecido há muito tempo, bem antes da chegada de Bolsonaro ao poder. Em 2017, o governo de Michel Temer promoveu a suspensão da Venezuela do Mercosul e, no mesmo ano, o Palácio de Miraflores expulso o então embaixador brasileiro em Caracas, Rui Pereira.

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