Em Israel, assessor do Planalto anuncia que spray nasal contra Covid terá fases 2 e 3 de testes no Brasil

Em Israel, assessor do Planalto anuncia que spray nasal contra Covid terá fases 2 e 3 de testes no Brasil

21:45 - Segundo Filipe Martins, foi "aberto caminho" para acordo em viagem de 10 representantes do governo Bolsonaro, liderados por Ernesto Araújo

A delegação brasileira chefiada pelo chanceler Ernesto Araújo encerrou, nesta terça-feira, uma viagem de três dias a Israel, com um acordo prevendo que o Brasil participará da segunda e a terceira fases de testes do spray nasal EXO-CD24. Ainda sem eficácia comprovada, o produto despertou grande interesse no presidente Jair Bolsonaro, que decidiu investir no que ele chamou de "remédio milagroso".

Em fevereiro último, o governo israelense informou que, na primeira fase de testes, o spray foi testado em 30 voluntários que estavam internados no Hospital Ichilov, em Tel Aviv, em estado grave. Desse total, 29 pacientes se recuperaram em três a cinco dias. Não há ainda, no entanto, nenhum estudo científico publicado sobre a eficácia do EXO-CD24.

Um dos integrantes da delegação, o assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, disse em uma rede social que uma reunião nesta terça-feira com representantes da instituição "abriu caminho" para essa parceria com o Brasil não apenas nos testes, mas também no desenvolvimento, aprimoramento e produção do remédio.

Ele acrescentou que outra parceria parceria semelhante, envolvendo o medicamento Allocetra e o desenvolvimento de vacinas, foi acertada com o Instituto Hadassa. O remédio será testado em casos moderados e graves.

Com o Instituto Weizmann, será "estabelecido um grupo de trabalho" para a cooperação em 65 linhas de pesquisas na área de enfrentamento à pandemia, incluindo tecnologias de testagem, de previsão de tendências na propagação do vírus, de medicamentos e de vacinas.

"Por fim, enquanto o Brasil se prepara para utilizar as vacinas da Pfizer pela 1ª vez, acordamos com o governo israelense o compartilhamento de dados sobre o uso da vacina em Israel, com a finalidade de garantir maior segurança p/ os brasileiros que optarem por se vacinar", escreveu Martins.

Israel é líder mundial na vacinação, mas não produz vacinas contra a Covid-19, e usa as da Pfizer.

A visita começou no domingo, e todos os 10 integrantes da comitiva — que incluiu representantes do Palácio do Planalto, dos Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia e os deputados do PSL Eduardo Bolsonaro (SP) e Hélio Lopes (RJ) — passaram a maior parte do tempo no hotel, devido às restrições para a movimentação no país por causa da pandemia.

Com poucas exceções, como nos encontros com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, na segunda-feira, e o ministro das Relações Exteriores, Gabi Ashkenazi, no domingo, a delegação brasileira realizou as reuniões no hotel. O isolamento se deu porque, ao contrário dos demais visitantes que chegam a Israel, os membros da comitiva não cumpriram quarentena.

Ao comentar a visita, Mauro Scretch, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que o estabelecimento de colaborações em pesquisas clínicas não demanda viagem de comissões ministeriais. Dá-se através da interação entre pesquisadores, agências de fomento à pesquisa ou quem quer que esteja desenvolvendo uma droga.

— O que precisamos agora é de vacinas, afora, é claro, medidas não farmacológicas — afirmou.

Ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão disse que a viagem "é, no mínimo, estranha". Em primeiro lugar, porque a maioria das pessoas da comitiva nada tem a ver com a área de saúde. Em segundo, porque potenciais acordos em ciência e saúde têm um processo técnico muito rígido.

— A viagem tem mais a ver com questões políticas mais amplas do que com saúde ou ciência — disse Temporão.

Hussein Kalout, cientista político, senior fellow do Núcleo América do Sul do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e pesquisador em Harvard, avalia que o governo precisa dar mais explicações sobre a dimensão da visita. Ele enfatizou que não há comprovação científica de que o spray nasal seja tão efetivo no combate ao coronavírus.

— O presidente Bolsonaro e seu governo parecem que estão sempre em busca de algum instrumento milagroso. Agora parecem estar ainda mais preocupados com a proporção tomada pela pandemia, que afeta a imagem do governo em sua base ideológica e fendas religiosas — afirmou.

Fizeram parte da delegação brasileira, além de Ernesto Araújo, Filipe Martins e os deputados Bolsonaro e Hélio Lopes, Fábio Wajngarten (Ministério das Comunicações), Max Guilherme Machado de Moura(Presidência da República), Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega e Pedro Paranhos (Ministério das Relações Exteriores), Hélio Angotti Neto (Ministério da Saúde), Marcelo Marcos Morales (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação).

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