Em expansão, Banco do Brics tem adesão de três novos sócios

Em expansão, Banco do Brics tem adesão de três novos sócios

Emirados Árabes, Bangladesh e Uruguai dão início ao crescimento da instituição

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como o Banco do Brics, anunciou ontem a entrada de três novos sócios, o que dá início a sua expansão: Uruguai, Emirados Árabes Unidos e Bangladesh.

O Valor apurou que neste ano deverá ser concluída a negociação para adesão de mais um sócio. A expectativa é de três a quatro novos sócios por ano, podendo alcançar um total de 20 membros nos próximos anos

“A expansão do quadro societário do NBD encontra-se em linha com a estratégia do banco de posicionar-se como instituição de referência para o desenvolvimento de economias emergentes”, disse a instituição, em comunicado.

Os percentuais dos novos sócios no capital do banco vão depender das próximas rodadas de expansão. O certo, porém, é que, mesmo com a diluição no longo prazo, os países fundadores - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - vão ter 55% do controle do banco sediado em Xangai (China) e presidido atualmente pelo brasileiro Marcos Troyjo.

“Os novos sócios terão no NDB importante plataforma para fomentar cooperação em infraestrutura e desenvolvimento sustentável”, afirmou Troyjo. “Continuaremos a expandir o número de sócios de maneira gradual e equilibrada.”

Uruguai, Emirados Árabes e Bangladesh representam uma combinação interessante, com bons ratings e boas perspectivas econômicas, que ajudam o Banco do Brics. Os Emirados Árabes são hoje uma das principais praças de liquidez do mundo. E podem se tornar uma fonte mais importante de capital privado para investimentos em infraestrutura, ajudando a montar projetos de investimentos do banco com diferentes instituições de outros sócios.

O fundo Adia (Abu Dhabi Investment Authority), por exemplo, tem US$ 650 bilhões de ativos. O Investment Corporation of Dubai (ICD) tem US$ 302 bilhões. O fundo Mudabala, um dos mais ativos no exterior, soma US$ 232 bilhões. O Emirates Investment Authority soma ativos de US$ 68 bilhões.

Para Obaid Humaid Al Tayer, ministro para Assuntos Financeiros dos Emirados Árabes Unidos, a admissão ao NBD “representa um novo passo em direção à ampliação do papel dos Emirados Árabes no cenário global, especialmente à luz da ampla capacidade e experiência que o país possui no apoio a projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Esse passo significativo não teria sido possível sem a visão e orientações da liderança dos Emirados Árabes, que acredita na importância de apoiar projetos de desenvolvimento em todo o mundo, principalmente em economias emergentes”.

Quanto a Bangladesh, a avaliação é de que boa parte do mundo ainda não se deu conta de seu potencial. Trata-se de um dos países que mais crescem no continente que mais cresce, que é a Ásia. Foi um dos que mais aumentaram sua economia na última década, e para a próxima década a expectativa é de crescimento de 8% ao ano, o que significa dobrar a renda nesse período. Sua renda per capita (US$ 1.968 em 2020) é maior do que a de Paquistão (US$ 1.193) e Índia (US$ 1.900), seus vizinhos, e 98% das crianças completaram a educação básica.

“A admissão de Bangladesh ao NBD abriu caminho para uma nova parceria no importante momento da celebração dos 50 anos da nossa independência”, disse Mustafa Kamal, ministro de Finanças do país.

Já o Uruguai tem uma boa classificação de risco, que ajuda o Banco do Brics. Neste ano, a agência Moody’s reafirmou o rating do país em “BAA2”, com perspectiva estável. Segundo a agência, a perspectiva reflete a “gestão fiscal prudente durante a pandemia”, o que limitou o aumento dos níveis de dívida e levará à estabilização dos coeficientes nos próximos anos no país. O país tem renda per capita maior que a do Chile. Sua participação no banco vai permitir também a realização de projetos binacionais com o Brasil com financiamento do NBD.

“O Uruguai vê no NBD uma grande oportunidade de cooperação com seus países-membros, buscando melhor inserção internacional para o comércio e investimentos do país”, afirmou Azucena Arbeleche, ministra de Economia e Finanças do país.

A questão é por que a Argentina, um dos emergentes no G-20, não adere ao Banco do Brics. A lista dos países com que o banco negocia para serem sócios é acertada previamente no conselho de governadores da instituição. O Valor apurou que a Argentina não está na lista com perspectiva de negociação.

Na verdade, para a própria instituição pode ser mais importante ter Peru, Colômbia e Guiana como sócios, ao menos no momento. O tamanho relativo da economia não é o único critério. Há outros pontos que podem pesar mais, como classificação de risco e fontes de liquidez. Em 2020, o rating argentino saiu de “default” (“SD”) para “CCC+” após ter concluído a reestruturação de dívida externa.

Em seis anos de funcionamento, o Banco do Brics aprovou cerca de 80 projetos em seus países-membros, com uma carteira de investimentos de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 160 bilhões). Áreas como transporte, água e saneamento, energia limpa, infraestrutura digital, infraestrutura social e desenvolvimento urbano estão no escopo da instituição.

O NBD foi instituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul visando mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos Brics e em outras economias emergentes e países em desenvolvimento, complementando a atuação das instituições financeiras multilaterais e regionais para o crescimento e desenvolvimento global. O banco tem capital autorizado de US$ 100 bilhões, aberto à subscrição de membros da Organização das Nações Unidas (ONU)

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