Em encontro com colega americano, chanceler brasileiro reiterou que chineses não seriam barrados do leilão do 5G

Em encontro com colega americano, chanceler brasileiro reiterou que chineses não seriam barrados do leilão do 5G

27/09 Imigração, clima e programa nuclear brasileiro também foram temas da conversa, que aconteceu às margens da Assembleia Geral da ONU

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, reiterou ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que o Brasil não iria impedir que empresas chinesas participassem do leilão do 5G. França e Blinken se encontraram na semana passada, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, dois dias antes de a Anatel divulgar a data do leilão, 4 de novembro. A reunião, a primeira presencial entre Blinken e França, foi a de mais alto nível entre autoridades dos governos de Jair Bolsonaro e Joe Biden até agora.

Um diplomata brasileiro do alto escalão contou detalhes do encontro ao GLOBO. Além do 5G, foram parte da conversa de 45 minutos temas como imigração, clima e uma questão que frequenta a relação bilateral há anos: a pressão americana para que o Brasil adote o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que permitiria inspeções mais intrusivas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nas instalações nucleares brasileiras.

Do lado brasileiro, além de França, participaram do encontro o secretário especial de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha, o embaixador nos EUA, Nestor Fóster, e o embaixador na ONU, Ronaldo Costa. Do americano, estavam a chefe de gabinete de Blinken, Suzy George, a embaixadora na ONU, Linda Thomas-Greenfield, e o secretário assistente para o Hemisfério Ocidental, Brian Nichols. Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde julho, quando Todd Chapman, indicado por Donald Trump, deixou o cargo.

Sobre a China, segundo o diplomata, Blinken disse saber que é importante manter relações fluidas entre americanos e chineses, aos quais chamou de “nossos amigos relutantes”, mas afirmou que há questões estratégicas em jogo para os EUA. Foi quando França mencionou o leilão do 5G, informando que o governo brasileiro “não vai discriminar ninguém”.

Em relação à crise migratória na fronteira entre EUA e México, que inclui brasileiros que tentam entrar irregularmente no território americano, o diplomata disse que seus pares notam uma relutância do governo Biden em tratar a questão “de maneira mais generosa”, levando em conta não apenas o aspecto da segurança, mas suas causas sociais e econômicas.

Na conversa, Blinken de fato “aventou” a possibilidade de o Brasil receber alguns dos imigrantes haitianos que estavam na fronteira até a semana passada, mas não chegou a haver um pedido formal. França disse que poderia avaliar o caso dos que têm vínculo com o Brasil, como filhos nascidos no país e parentes radicados em território brasileiro.

Na área ambiental, uma das prioridades do governo Biden, os brasileiros reconheceram o problema do desmatamento, segundo o diplomata, mas disseram a Blinken que o governo iniciou ações concretas para combatê-lo, e que as posições mudaram depois da cúpula de líderes sobre o clima organizada pelo presidente americano, em abril.

Na área de segurança, um dos temas mais relevantes foi a recusa do Brasil em aderir ao Protocolo Adicional. O Brasil, como tem feito, argumentou que seu programa nuclear já tem o controle duplicado pelo acordo firmado há 30 anos com a Argentina, que criou a Agência Brasileira-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc).

Sobre o apoio que o Brasil espera ter dos EUA para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado clube dos ricos, Blinken teria explicado que há um impasse com a União Europeia. O bloco estaria condicionando a entrada do Brasil ao ingresso de outros membros daquele continente, ideia que desagrada aos EUA, por considerarem que isso atrapalharia o equilíbrio de forças na organização, que passaria a ser "muito europeia”.

Não foi marcada uma data para um encontro entre Bolsonaro e Biden, embora, segundo o diplomata, “sempre haja essa intenção" no encontro entre as maiores autoridades diplomáticas de qualquer país. A próxima oportunidade de um encontro seria a cúpula do G-20, em Roma, nos dias 30 e 31 de outubro. Há ainda a cúpula do clima, em Glasgow, na Escócia, no início de novembro, mas Bolsonaro não decidiu se vai.

Blinken também teria demonstrado interesse em articular posições com o Brasil quando o país ocupar uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU, em 2022, num mandato de dois anos.

Na economia, França mencionou o interesse do Brasil em receber a fabricação de semicondutores, a partir de parcerias entre empresas dos dois países, além da produção de energia limpa com o uso do chamado hidrogênio verde.

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