Em eleição mais apertada em 20 anos, Uruguai adia anúncio de vencedor

Em eleição mais apertada em 20 anos, Uruguai adia anúncio de vencedor

Corte eleitoral afirma que definição de novo presidente dependerá dos chamados ´votos observados´

Em um segundo turno emocionante, disputado voto a voto, o anúncio de quem será o novo presiden te do Uruguai não será feito neste domingo (24).

Devido à ma rgem a pert ada e nt re os vo tos do s dois c andi datos,que fez desta eleição a mais disputada no país nosúltimos 20 anos, a Corte Eleitoral do Uruguai afirmou que será necessário analisar os chamados `votos observados`.

Trata-se de votos de pessoas idosas, com ineapaeidades físicas ou outras restrições, e que, por isso, precisam de checagem especial.

Assim, segundo o órgão, o `resultado final deve ser conhecido 11a quinta ou na sexta´! Até as 23I115 deste domingo, com 97,97% das umasapuradas, o candidato do Partido Nacional, Luis Lacalle Pou, liderava a c ontagem por 48,74% contra 47,48% do govemista DanielMartínez, 62, da Frente Ampla, uma diferença de apenas 29.695 votos os `votos observados` somam 33 mil.

Se este resultado se mantí ver, haverá alternância depoder no Uruguai pela primeira vez emis anos, com a saída da centro-esquerda e oretorno ao poder do tradicional Partido Nacional (blanco), que contou com o apoio de outras quatro legendas de oposição neste segundo turno.

Esta é a segunda tentativa de Lacalle Pou de chegar à Presidência. Ele já havia perdido, em 2014, para o atual man datário, Tabaré Vázquez, 79.

Advogado, terá como principal desafio combater a inseguranç a, g rande preocupação dos uruguaios, e impulsionar a economia, que ficou prati camente estagnada em 2019.

Liberal na economia, Lacalle Pou faz parte de um partido criado para defen der os interesses docampo.A legenda possui uma ala progressista e outra mais con servadora, à qual pertenceu seu pai, Luís Alberto Lacalle, presidente de 1990 a 1995.

Lacalle Pou se situa um pouco mais à esquerda que o pai e afirmou que não irá rever ou pedir a revogação das leis de direitos civis aprovadas durante o governo da Frente Ampla, como o matrimônio homossexual e as leis da maconha e do aborto.

Na economia, porém, fará mudanças em relação ao modo como o atual governo conduzia o país. Lacalle Pou quer abrir mais o mercado, derrubar travas protecionistas, cortar gastos do Estado com administração e colaborar com a flexibilização do Mercosul.

 Já no casode uma virada histórica, a Frente Ampla se manteria por mais cinco anos no poder. Martínez, ex-prefeito de Montevidéu, é do Partido Socialista, ala da Frente Ampla a qual pertence Vázquez.

É conhecido por ter um perfil de gestor. Tímido, não carrega os traços de um populista. Suasprúpostaspara a economia e para as relações internacionais são parecidas às das políticas do atual presidente.

Defende a intervenção do Estado na economia e, em relação à Venezuela, argu menta que o Uruguai siga com aposição de não ingerência, distinta da do Grupo de Lima.

O dia de votação, de sol e calor na capital uruguaia, foi tranqüilo. Havia movimiento regular nos centros eleitorais no e muita gente aproveitando para passear no s parques e na rambla junto ao rio da Prata.

O único episódio de distúr bio em meio ao pleito foi a publicação de um vídeo de Guido Manini Rios, um gene ral aposentadodo Exército queobteveio% dos voto s no primeiro turno.

Com linguagem agressiva contra a esquerda, Manini Rido os pedia a membros das Forças Annadas para não votarem na Frente Ampla. Membro do partido Cabildo Abierto, ele passou a apoiar Lacalle Pou.

A atual vice-presidente do país, Lucía Topolansky, disse que o vídeo feria o veto à propaganda política durante o dia das eleições e que Manini Rios deveria ser investigado.

Lacalle Pou também reagiu. Disse`nãocompartilharemnada` com o tom do aliado nem com o que foi dito no vídeo. Afirmou que `esse tipo de coisa não pode ocorrer no U ruguai`.

O atual presidente, Tabaré Vázquez, votou cedo. Ao sair de casa, encontrou uma faixa que dizia `gracias, Tabaré`, o que o deixou emocionado.

Vázquez termina seu segundo termo à frente do país em meio ao tratamento de um câncer de pulmão e após a morte de sua mulher. `Foram cinco anos difíceis` admitiu.

Após votar, Vázquez disse que não será um problemase a Frente Ampla deixar o poder. O atual presidente disse que `não deve haver drama` e que trabalhará junto comLaealle Pou em uma transição.

As imagens de grupos de apoiadores da Frente Ampla e do partido Nacional confraternizando, com hino nacional em conjunto ebatucada, viralizaram nosúltimosdias. Mas elas foram bastante comuns ao longo da última semana.

Em umas dessas manifestações, FelLsa Giménez, 63, afir mou que preferia ver o candidato daFienteAmpla vitorioso.

`Se isso não for possível, tudo bem. Medo mesmo eu tenho de Manini Rios com muito poder nesse governo`, diz.

`Isso seria um mau caminho, ao qual os uruguaios não querem trilhar porque lembra a ditadura. De resto, conhecemos os ´blancos´, e é bomporquevãosaber com o endireitaranossa economia.`

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