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Em Córdoba, o novo desafio da Nissan

Em Córdoba, o novo desafio da Nissan

A adaptação à volatilidade das economias latino-americanas é um desafio para qualquer multinacional. O presidente mundial da Nissan, Hiroto Saikawa, tem mais um pela frente.

A adaptação à volatilidade das economias latino-americanas é um desafio para qualquer multinacional. O presidente mundial da Nissan, Hiroto Saikawa, tem mais um pela frente. Com a desvalorização de 32% do peso argentino frente ao dólar neste ano, a importação de componentes ficou mais cara. Isso pode atrapalhar a evolução da fábrica que ele inaugurou ontem em Córdoba. A melhor opção é nacionalizar componentes. Para isso, é preciso atrair investimentos de fabricantes de autopeças para o país, tarefa árdua em uma economia combalida. 

Fábrica da Nissan na Argentina nasce com grande desafio 

Veículos Com dólar 32% valorizado, importação de peças ficou mais cara; saída é acelerar nacionalização

A necessidade de adaptar-se à volatilidade das economias nos países emergentes é sempre um desafio para qualquer multinacional. O presidente mundial da Nissan, Hiroto Saikawa, tem mais um pela frente. Com a desvalorização do peso argentino frente ao dólar em 32% este ano a importação de componentes no país ficou mais cara. Isso pode atrapalhar a evolução da fábrica que ele inaugurou ontem em Córdoba. A saída é acelerar a nacionalização de componentes. Isso implica, porém, na necessidade de atrair investimentos de fabricantes de autopeças para o país, uma tarefa árdua num momento em que a economia está combalida.

Como costumam argumentar outros que ocupam altos cargos de comando na indústria automobilística, Saikawa diz que a crise argentina não afeta os planos da companhia, que `se baseiam no fundamento de que os potenciais tanto da Argentina como do Brasil são muito maiores` do que as situações conjunturais. 

Mas o executivo japonês de 64 anos, que trabalha na Nissan desde que se formou na faculdade de economia, em Tóquio, há 41 anos, está habituado a grandes desafios. Um deles foi substituir o brasileiro Carlos Ghosn. Há um ano, Ghosn deixou a presidência da Nissan para poder dedicar-se mais ao comando de um grupo que passou a abranger três marcas, a aliança Renault Nissan Mitsubishi. Saikawa era seu braço direito. 

Outro, mais recente e mais incômodo, apareceu em novembro, com o escândalo de inspeções irregulares nos motores dos veículos da marca, feitas por pessoal sem qualificação. O problema provocou um recall e os diretores da empresa, incluindo Saikawa, anunciaram que devolveriam parte dos salários como forma de assumir a responsabilidade. Alegando tratar-se de um problema limitado ao mercado japonês, a Nissan pediu para que o executivo não fosse questionado sobre o assunto.

Uma das principais preocupações de Saikawa, hoje, é cuidar da expansão das operações da Nissan em mercados nos quais a marca japonesa ainda não atuava. O processo já envolveu Rússia, índia, Brasil e agora chegou à Argentina. Saikawa diz que a Nissan apoia as diretrizes do governo Macri, apesar da crise e de decisões macroeconômicas que derrubaram as vendas de veículos no país, como a alta da taxa básica de juros para 40% e projeções de inflação, segundo economistas, que passam dos 30% para este ano. 

Em discurso na inauguração da fábrica, o presidente Maurício Macri indicou saber que o fato de seu governo ter tirado o país do populismo agrada às empresas: `O mundo nos recebeu de braços abertos`. 

A nova operação da Nissan na Argentina foi possível graças ao processo de alianças e parcerias, uma nova onda na indústria automobilística. O projeto é resultado de um feliz acordo que envolve as duas parceiras Renault e Nissan e mais a Mercedes-Benz. A Renault tinha ociosidade em parte de sua fábrica, construída em Cordoba há 60 anos. A Nissan não tinha nenhum fábrica no país e a Mercedes-Benz está na Argentina, mas não produz picapes médias. Investimento de US$ 600 milhões, feito pela Nissan, num antigo galpão da Renault, surgiu uma fábrica completamente nova, que terá capacidade para 70 mil veículos por ano. Um pouco menos da metade da capacidade será usada para produzir a picape Frontier, da Nissan. A partir do primeiro trimestre de 2019, será fabricada, na mesma linha, uma picape da marca Mercedes-Benz, chamada Classe X. Meses depois, começará a produção do modelo da Renault, chamado Alaskan. Posteriormente, a linha alternará a montagem dos veículos das três marcas. A Mercedes pagará pela produção dos veículos. 

Já o acordo entre Renault, dona da fábrica, e a Nissan, que fez o investimento, faz parte de acertos entre as duas dentro da aliança. Os detalhes desses entendimentos são mantidos em sigilo. Um modelo de produção igual, envolvendo as mesmas marcas e veículo já é feito numa fábrica da Nissan em Barcelona. Na Argentina, o projeto da Nissan agregará mil postos de trabalho no local onde 2,4 mil pessoas já trabalham para a Renault. Além da mudança física, com a nova linha, a fábrica de Cordoba começou a receber um novo visual, com o slogan da aliança. Saikawa prevê que os acordos entre empresas vão continuar crescendo no setor automotivos. `Estamos passando por uma mudança significativa e precisamos buscar escala para nosso negócio`, destaca. `As novas tecnologias nos forçam a buscar mais parcerias não apenas entre montadoras como também com empresas de outras áreas`. 

O Brasil, que importa a Frontier da fábrica do México, passará a receber o veículo da Argentina. Segundo o presidente da Nissan Brasil, Marco Silva, isso ajudará, ainda, a equilibrar o intercâmbio comercial, definido no acordo automotivo entre Brasil e Argentina. 

Na fábrica brasileira, localizada em Resende (RJ), também existe a preocupação com a desvalorização cambial. Segundo Silva, para compensar os custos a empresa também vai tentar elevar a nacionalização de componentes e a exportação. Segundo ele, para acelerar o aumento de produção para expandir participação no mercado brasileiro, a unidade brasileira recebeu investimento de US$ 40 milhões, que antecipa parte dos recursos de um programa qüinqüenal que ainda está em fase de aprovação. 
 

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