Em Beirute, Temer se oferece para harmonizar conflito interno

Em Beirute, Temer se oferece para harmonizar conflito interno

Nove dias após explosão, ex-presidente leva ajuda oferecida pelo governo e a comunidade libanesa no Brasil

Nove dias depois da devastadora explosão na área portuária de Beirute, aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) descarregaram ontem no Aeroporto Internacional Rafik Hariri seis toneladas de alimentos, medicamentos e equipamentos de saúde. A comitiva chefiada pelo ex-presidente Michel Temer, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, pousou horas depois. O povo brasileiro está empenhadíssimo em auxiliar o Líbano disse Temer ao desembarcar, afirmando que a ajuda fortalece ainda mais o que chamou de `relação fraterna e politicamente sólida` entre o Brasil e o Líbano. Adiásporalibanesa no Brasil tem cerca de 12 milhões de pessoas, entre elas o ex-presidente quase o dobro da própria população libanesa, estimada em 6,8 milhões, de acordo com o Banco Mundial. Segundo o Itamaraty, há hoje mais de 20 mil brasileiros vivendo no Líbano. Além disso, o Brasil comanda a Força-Tarefa Marítima da força de paz da ONU no país árabe.

O general libanês Albert Hyar, que recebeu Temer, agradeceu a ajuda: Muito obrigado ao governo, ao povo brasileiro disse em português. Reforçando a necessidade de apoio internacional, o presidente da Cruz Vermelha local, Antoine Zoghbi, explicou que, `os hospitais libaneses precisam de muita ajuda`. Segundo Zoghbi, 2,5 toneladas dos insumos recebidos do Brasil serãodestinadosàCruz Vermelha. O Exército libanês ficará a cargo da distribuição do restante. A explosão deixou mais de 170 mortos, 6 mil feridos e cerca de 300 mil desabrigados, com outras dezenas de pessoas ainda desaparecidas. Em redes sociais, os libaneses pedem que a explosão seja investigada por uma corte internacional, já que o governo local não tem a confiança da população.

Em visita a Beirute também ontem, o número três da diplomacia americana, David Hale, disse que o FBI vai trabalhar com investigadores libaneses e internacionais para apurar as causas do incidente, no qual 2.750 toneladas de nitrato de amônio que estavam armazenadas no porto sem a segurança adequada explodiram. Eu acho que isto vai depender do governo [...], conversei com o presidente Bolsonaro hoje pela manhã, e quem sabe [...] nós poderíamos colaborar para a harmonização de toda esta questão aqui no Líbano afirmou Temer.

´LÍBANO PACIFICADO´ Formada por senadores, autoridades federais e membros da comunidade libanesa no Brasil, a comitiva seguiu do aeroporto para encontro com o presidente Michel Aoun no Palácio Presidencial de Baabda, a 10 quilômetros do porto. Em seguida, o ex-presidente se reuniu com líderes de diferentes confissões religiosas na residência da Embaixada do Brasil em Beirute, onde comentou o encontro com o chefe de Estado libanês. Dissemos que o Brasil está inteiramente às ordens, não só para a ajuda humanitária, mas para ajudar a promover um inter-relacionamento saudável dentro do Líbano disse Temer, que hoje se encontrará com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, e com o primeiro-ministro demissionário, HassanDiab, antes de retornar ao Brasil.

A explosão reacendeu os protestos contra a classe política libanesa, e na última segunda -feira levaram à renúncia de Diab, após sete meses no cargo. Segundo Temer, a missão de ajuda humanitária ou qualquer outra ajuda que o governo brasileiro prestar ao Líbano no futuro não guarda interesse eleitoral ou político, mas corresponde ao interesse do povo libanês: Devo dizer até que este é o desejo de todos os libaneses que residem no nosso país. Eles querem um Líbano pacificado. O monsenhor Boulos Matar, ex-arcebispo maronita de Beirute, agradeceu a ajuda brasileira e acrescentou: [Os libaneses] são um povo trabalhador, um povo que merece viver com paz e solidariedade. A chegada da missão brasileira ocorreu em um dia tenso em Beirute, marcado por protestos e pela primeira sessão parlamentar desde a explosão.

O Legislativo endossou o estado de emergência, proclamado pelo Gabinete no dia 5. Com validade de duas semanas, a medida dá ao Exército o poder de limitar a liberdade de expressão, reunião e da imprensa, além de permitir a prisão de qualquer um considerado uma ameaça. Manifestantes cercaram o Palácio Unesco, onde a sessão parlamentar aconteceu, demandando reformas políticas. Todos os acessos ao local, no Sul de Beirute, foram bloqueados com grades de metal. Dois carros que se dirigiam ao centro de convenção foram atacados com pedras por um grupo que protestava com bandeiras libanesas. Além de Temer, a comitiva brasileira conta com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Luiz Osvaldo Pastore (MDB-ES), e o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Augusto Rocha, entre outros. Acusado de corrupção passiva e outros crimes no âmbito da Operação Lava-Jato, o expresidente precisou de autorização judicial para poder comandar a missão a Beirute.

Laços binacionais. Temer é recebido em Beirute pelo contra-almirante Sérgio Salguerinho, comandante da Força-Tarefa Marítima da ONU no país árabe

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