Elogiado por Lula, Fernández mantém o pragmatismo com Bolsonaro

Elogiado por Lula, Fernández mantém o pragmatismo com Bolsonaro

10/03 As relações entre Brasil e Argentina se desenvolvem, há algum tempo, em dois mundos paralelos. Enquanto o ex-presidente Lula agradece publicamente "a decência e a coragem" do presidente Alberto Fernández por tê-lo visitado na prisão, em Curitiba, embaixadores e técnicos dos dois governos preparam a cúpula pelos 30 anos do Mercosul, dia 26 de março, em Buenos Aires.

No evento, o presidente argentino e Jair Bolsonaro serão as estrelas principais.

Para o governo argentino, não foi fácil passar do horror a Bolsonaro à necessidade de apelar para o pragmatismo. Mas, a partir de meados do ano passado, com a chegada do embaixador Daniel Scioli a Brasília, o vínculo, em palavras do próprio Scioli, foi desestressado. Nesta construção, teve papel chave o secretário especial para Assuntos Estratégicos do Planalto, almirante Flávio Viana Rocha. Nesta quinta-feira, Rochinha, como é conhecido, será um dos convidados para um almoço na embaixada argentina, do qual também participarão embaixadores do Uruguai e Paraguai.

Esse é o Mercosul pragmático, onde se conversa, por exemplo, sobre a reunião da última quarta-feira entre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e seu colega de pasta argentino, Luis Basterra. Após o encontro, foi anunciada a eliminação de todas as pendências sanitárias entre os dois países. De uma lista de 54 itens, foram resolvidos 49.

Quando são perguntadas pelo risco da política bombardear o pragmatismo de diplomatas e negociadores comerciais, fontes brasileiras e argentinas dizem esperar que isso não aconteça. Mas não existem garantias. Bolsonaro e Fernández hoje se toleram, mas o presidente argentino não consegue evitar declarações públicas a favor de Lula, nem o presidente brasileiro, tuítes provocadores contra a Argentina.

Em tempos de pandemia, a relação bilateral não está imunizada. Está, por enquanto, sendo poupada em nome da importância econômica e comercial que ambos países representam um para o outro. Mas se a disputa em 2022 for, de fato, entre Bolsonaro e Lula, o risco de que a integração fique novamente em suspenso por um bom tempo é grande. O que afetará, obviamente, todo o Mercosul.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino