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Eleições 2018: o que pensa Marina Silva sobre política externa

Eleições 2018: o que pensa Marina Silva sobre política externa

EXAME questionou os candidatos à presidência sobre os desafios em política externa que o Brasil enfrenta. Veja a entrevista de Marina Silva São Paulo – Crise na Venezuela, refugiados, integração latino-americana e

EXAME questionou os candidatos à presidência sobre os desafios em política externa que o Brasil enfrenta. Veja a entrevista de Marina Silva São Paulo – Crise na Venezuela, refugiados, integração latino-americana e

Donald Trump são alguns dos desafios que o próximo presidente enfrentará em sua agenda de política externa, um tema que é frequentemente ignorado nos debates, mas extremamente relevante em um momento em que o cenário internacional se torna cada vez mais complexo.

Para entender como os candidatos à presidência se posicionam sobre esses assuntos, EXAME está entrevistando os principais nomes na disputa das eleições 2018. Abaixo, veja a entrevista realizada com Marina Silva (REDE).

Marina Silva – Brasil deve honrar sua tradição de país aberto a pessoas de todos os países do mundo que aqui queiram se instalar e viver contribuindo para a sociedade. É um país com fortíssima presença de imigrantes na sua formação.

No caso da Venezuela se agrega a emergência da situação de refugiados de um país que passou de ser a mais alta renda per capita de América Latina à maior tragédia econômica, política e humanitária da região no último meio século. O Brasil foi cúmplice dessa tragédia porque os governos anteriores sempre apoiaram o chavismo. Colômbia, Equador, Peru e Chile tem recebido muito mais refugiados que Brasil, mesmo tendo populações muito menores.

Devemos defender o princípio da solidariedade internacional se queremos alcançar uma sociedade global mais justa e mais fraterna. Receber os refugiados é pôr em prática esse princípio. Além disso, a experiência de receber pessoas vindas de outras culturas costuma ser positiva para a nação receptora que, em médio e longo prazo, se beneficia inclusive dos resultados econômicos decorrentes da capacidade de trabalho dessas pessoas, muitas delas qualificadas.

Se eleita pretendo atuar em conjunto com os depois países sul-americanos pela volta da democracia na Venezuela.

EXAME – Atuar por uma maior integração com a América Latina será uma prioridade em seu governo?

Marina Silva – Sem dúvida, a América Latina é prioridade central da ação diplomática brasileira. É preciso resgatar os objetivos maiores da integração regional, que deve ser instrumento de prosperidade econômica e comercial, mas também de garantia da democracia e dos direitos humanos. Devemos promover o aumento da interdependência econômica, tecnológica, política e cultural com nossos vizinhos latino americanos.

Marina Silva – Adotaremos as mais modernas ferramentas e metodologias de inteligência para o combate ao narcotráfico, priorizando o policiamento de manchas criminais e de fronteiras, com uso intenso de tecnologia. Também utilizaremos as técnicas de monitoramento da circulação e lavagem de dinheiro para combater o tráfico de drogas, armas e de pessoas e crimes financeiros.

Criaremos um conselho que articulará os diversos órgãos de inteligência estaduais e federais com foco no crime organizado e suas dinâmicas interestaduais e transnacionais.

As Forças Armadas assumirão papel fundamental na defesa de fronteiras, no combate ao contrabando e ao tráfico, bem como na proteção do meio ambiente, em especial no combate à biopirataria. Sua atuação receberá apoio do Estado e da sociedade civil, com a ampliação do debate democrático sobre o fortalecimento das estratégias de defesa.

Sem abdicar de nossas responsabilidades buscaremos a integração de esforços com nossos vizinhos, na busca de sinergias no combate ao tráfico de armas, drogas e pessoas.

Marina Silva – A partir de um Mercosul modernizado e livre de barreiras internas, é preciso concluir as negociações com a União Europeia e com outros parceiros dispostos a uma abertura mutuamente vantajosa.

EXAME – Qual é a importância que o grupo dos BRICS terá em seu governo?

Marina Silva – Nossa política externa deve seguir promovendo a participação do Brasil em esquemas plurilaterais de concertação, como os BRICS, o IBAS ou o G-20.

Iniciativas conjuntas com nossos sócios no BRICS, para além do tratamento da agenda global, como mecanismos próprios de financiamento ao desenvolvimento devem ser fortalecidas. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBR), criado por países emergentes por exemplo, é uma experiência única e deve ter papel relevante para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Marina Silva – A relação com a China exige atenção prioritária pela magnitude das cifras e pelos desafios. Em poucos anos, o país tornou-se nosso primeiro parceiro comercial − com elevado superávit do lado brasileiro − bem como uma importante fonte de investimentos.

Atenção especial deve ser dada à melhora na composição da pauta exportadora brasileira, estimulando a substituição das indústrias de baixo custo por indústrias intensivas em conhecimento e viabilizando um diálogo construtivo com as autoridades chinesas para que seja leal a concorrência dos produtos exportados por ambos os países, evitando-se a prática de preços irrisórios.

Também convém empenhar-se para que os investimentos chineses atendam às nossas expectativas de estabelecimento de parcerias, utilização de insumos locais, criação da capacidade de pesquisa e desenvolvimento e contratação de mão de obra e de executivos brasileiros.

Marina Silva – Sim, nosso protagonismo nas negociações internacionais por meio da ONU e demais organismos multilaterais e regionais será́ fortalecido e ampliado. Ao mesmo tempo, para expandir os mercados para nossos bens e serviços também iremos buscar arranjos bilaterais ou em formatos variáveis.

 

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