Economia lenta leva investidor a reduzir aposta em varejo na bolsa

Economia lenta leva investidor a reduzir aposta em varejo na bolsa

A seqüência de indicadores macroeconômicos frustrantes no Brasil vem levando os investidores a ajustar posição nas ações das companhias de varejo e consumo, que já lideram as perdas do Ibovespa no ano. A descrença em uma recuperação mais robusta da atividade ainda não fez o mercado desembarcar dos papéis desses setores, mas obriga a exposição a ser menor ou a vir, pelo menos, combinada com instrumentos de proteção.

Mercados Setor já lidera perdas do Ibovespa em 2019, com indicadores fracos de atividade

Entre as dez maiores quedas vistas no Ibovespa desde o começo de 2019, seis são de varejistas ou companhias ligadas à economia local. No destaque estão a ação preferencial (PN) da Lojas Americanas, em baixa de 21,37%, e o papel ordinário (PN) da Hypera, com recuo de 16%. O Ibovespa sobe 7,62% no ano.

Segundo analistas, a venda desses papéis não chega a indicar que os investidores planejam abandonar a tese de recuperação da economia, mas a perspectiva de um cenário doméstico mais fraco acende um alerta. `As expectativas de crescimento do Brasil estão bem baixas e a maior esperança na retomada é a aprovação da reforma da Previdência, que por enquanto está emperrada. O mercado parou para esperar a reforma e, consequentemente, tudo aquilo que envolve o varejo sofre um impacto nesse momento de incertezas`, explica Jefferson Laatus, operador e sócio do grupo Laatus.

Ontem, dia de mercado com baixíssima liquidez na volta do feriado de Páscoa, o setor de varejo e consumo ficou no grupo dos mais negociados e enfrentou um ajuste de posição do investidor: Natura ON (-3,15%) foi o pior desempenho do dia, mesma direção de papéis como Via Varejo ON (-2,78%) e B2W ON (-2,11%). No pregão de ontem, o Ibovespa teve leve alta de 0,01 %, aos 94.588 pontos, com volume financeiro de R$ 7,8 bilhões a média diária negociada nas sessões de 2019 é de R$ 12 bilhões.

Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Asset, afirma que esse movimento já era esperado dada a onda de otimismo na recuperação econômica logo após o início do governo de Jair Bolsonaro, um otimismo que não veio nos indicadores de atividade. `Os papéis dessas empresas de consumo, em geral, subiram bem no início do ano com a expectativa de melhora da economia e agora estão sofrendo um ajuste natural`, diz ele.

Na pesquisa Focus publicada ontem, a projeção para a taxa Selic no fim deste ano permaneceu em 6,5%, mas a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) apresentou a oitava retração consecutiva e foi de 1,95% para 1,71%. No começo do ano, as estimativas de algumas casas de análise circularam perto de 3%.

No caso das projeções para o dólar, houve a primeira mudança na Focus desde fevereiro, de R$ 3,70 para R$ 3,75. Para Rafael Bevilacqua, sócio da Eleven Financial Research, as incertezas que cercam a economia e o início da temporada de divulgação dos balanços do primeiro trimestre deverão continuar estimulando a volatilidade desse grupo de ações. `Veremos uma pressão por resultados nas próximas semanas, depois a pressão pela revisão da Selic no mês seguinte. Com tudo isso, esse tipo de papel sofre um pouco mais`, afirma. `Tivemos um começo de ano muito animado e agora vemos os investidores reajustando posicionamento dentro de um setor mais sensível.`

Enquanto esperam por avanços na reforma da Previdência, os investidores também aproveitam para fazer `rotações na carteira`, o que significa manter exposição a alguns papéis em um mesmo setor e sair de outros, afirma Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets. Isso explica por que, apesar do desempenho negativo em bloco, há divergências entre a performance dessas empresas o Grupo Pão de Açúcar (GPA), por exemplo, ligada ao consumo básico, sobe 18,9% em 2019.

`A agenda de reforma da Previdência continua sustentando a aposta no setor de varejo e o investidor ainda vai esperar por isso antes de promover qualquer tipo de saída [dessas empresas]`, afirma. `Não estamos entrando mais no setor e pulverizamos a exposição, mantendo cerca de 3% a 5% do fundo em cada papel, mas ainda não é o momento de apostar contra a economia.`

Ana Carolina Neirae Juliana Machado

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