´E preciso uma intervenção na Venezuela´

ENTREVISTA A ANTONIO LEDEZMA

´E preciso uma intervenção na Venezuela´

Antonio Ledezma é um do s principais nomes da oposição venezuelana. Ex-prefeito de Caracas, ele ficou preso 2 anos e 8 meses, sob acusação de conspirar contra o governo.

Em entrevista ao Estado durante sua passagem por Genebra, onde esteve para conversar com diplomatas da ONU, ele pediu uma `intervenção humanitária` em seu país, seguidapor umgoverno de `transição`.

¿A oposição boicotará as eleições em abril?

A palavra certa não é boicote, mas desconhecer. Isso não é uma eleição. Isso é uma jogada que se soma a uma série de fraudes. Maduro vem castigando a vontade do povo. O que o regime faz é roubar a opinião das pessoas por meio do voto.

¿Mas ignorar o processo não significa deixar a via Livre para mais quatro anos de Maduro?

Não. O que o regime quer é se oxigenar com a boa-fé das pessoas. Por isso, o governo ganhou tempo com o diálogo na República Dominicana. Não era um diálogo, era um monólogo. O que ocorreu ali foi uma paródia de uma negociação. Quatro pontos teriam de ser cumpridos. Entre eles, eleições livres, respeito pela divisão dos poderes e liberdade de presos políticos. Nada disso existe hoje. Temos mais presos políticos do que antes de a negociação começar.

¿Qual apoio Maduro teria em uma eleição Livre?

Menos de 20%. Parte disso em razão de pressões e ameaças.

¿E a situação humanitária hoje?

O governo prefere que as pessoas morram de fome a admitir que seu plano fracassou. Por isso, a ajuda humanitária não chega. Na Venezuela, está se materializando um genocídio. Não há calmantes para doentes terminais. Não há morfina, não há remédios. A narcotirania desenvolveu uma repressão sistemática e se transformou em uma política de Estado, assim como a corrupção. Na República Dominicana, se falou muito em eleições livres. Por isso, o processo não avançou.

¿Vocês estiveram perto de um acordo?

 Não. O governo se aproveitou da boa-fé de parte da oposição que arriscou seu prestígio e confundiu a opinião pública, inicialmente aceitando que se falaria sobre os quatro pontos principais.

¿Isso desmobilizou as pessoas. 0 sr. defende uma investigação internacional?

Isso nem é mais necessário. As pessoas estão morrendo por falta de remédio para diabete. Em média, seis crianças morrem por semana na Venezuela por falta de comida. Isso sem contar a explosão da violência. Estamos a caminho de um genocídio. Por isso, há uma brecha para que o princípio da autodeterminação ceda ao princípio da intervenção humanitária. Precisamos de uma intervenção humanitária urgente.

¿0 sr. propõe uma ação militar?

A Venezuela está sitiada militarmente, invadida por interesses cubanos, pela máfia e pelo narcotráfico. Precisamos de uma intervenção humanitária como está determinada em tratados internacionais. Fiquei mil dias preso. Tantos outros continuam presos e 30 milhões estão seqüestrados pela narcotirania. Precisamos de um resgate.

¿Como ocorreria isso?

Seria dentro das normas internacionais. O tempo da diplomacia contemplativa acabou. Queremos que a ONU e a OEA deem um passo significativo. O que estamos vivendo é pior que Saddam Hussein, que Muamar Kadafi. A Venezuela é uma ameaça para a região.

Ortega pede ao TSJ ordem de captura contra Maduro

A destituída Procuradora-Geral venezuelana Luisa Ortega pediu ontem ao Tribunal Supremo de Justiça de seu país, Ligado ao chavismo, que emita uma ordem de captura internacional contra o presidente Nicolás Maduro por supostamente ter recebido subornos da Odebrecht. Segundo Ortega, uma investigação revelou que a construtora brasileira pagou à campanha presidencial de 2012 de Hugo Chávez, mas foi Maduro, na época chanceler, quem recebeu o dinheiro por meio de empresas de fachada. Ela também assegurou que a Odebrecht financiou a campanha presidencial de Maduro em 2013 para dar continuidade às obras na Venezuela.

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