É exagero comparar a Argentina de Fernández com a Venezuela de Maduro?

É exagero comparar a Argentina de Fernández com a Venezuela de Maduro?

16/09 - 15:01 - Na Argentina de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, ouvem-se cada vez mais os comentários de que o país pode virar uma Venezuela.

Em dias como esta quarta-feira, quando o Banco Central argentino ampliou as restrições para comprar dólares, eles se multiplicam. É exagerado dizer que, com a aliança de peronistas e kirchneristas, a Argentina caminha para ser um país similar ao que o chavismo construiu na Venezuela? Sim. Mas surgiram elementos que alimentam este receio.

Fernández abandonou o perfil moderado que na eleição presidencial de 2019 levou muitos eleitores de centro a optarem por sua candidatura. Já defendeu a expropriação de empresas; nas últimas semanas, atacou as classes mais altas; defendeu um imposto sobre a riqueza; a tolerância com meios de comunicação críticos é cada vez menor; e foi proposta uma reforma do Judiciário que claramente busca aumentar o controle sobre esse poder.

Gandes grupos empresariais estrangeiros estão deixando o país; o peso está cada vez mais desvalorizado; terras foram invadidas e ocupadas no Sul; os indicadores sociais estão se deteriorando, e a pobreza pode chegar a 50% até o fim do ano; a prolongada quarentena não conteve a disseminação do coronavírus, e a situação sanitária é complicada. Um último elemento apavora grande parcela da sociedade, num país completamente polarizado: a enorme influência de Cristina, defensora de Nicolás Maduro, nas decisões do governo.

A Argentina não tem Forças Armadas politizadas nem militares no poder. Não são perseguidos, presos e torturados opositores políticos. A ditadura deixou um enorme trauma e os crimes cometidos foram julgados e condenados. Há liberdade de expressão. E, ao contrário do que ocorre no chavismo, existe confiança no sistema eleitoral. Tanto que o kirchnerismo foi derrotado nas presidenciais de 2015 e deixou o poder. Retornou pelo mau desempenho do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) e pela expectativa de que Fernández fosse representante de um peronismo moderado.

O problema são os gestos de hoje, a radicalização. E como isso impacta setores sociais opositores, que voltaram a bater na tecla da venezuelização do país. Há semelhanças, sim. Mas também expressivas diferenças.

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