Dólar renova máxima e fecha negociado a R$ 4,48; Bolsa reverte queda e sobe 1,15%

Dólar renova máxima e fecha negociado a R$ 4,48; Bolsa reverte queda e sobe 1,15%

19:48 - Mercados acionários globais despencam com incertezas do impacto econômico que o coronavírus vai causar

RIO e SÃO PAULO - Em mais um dia de quedas expressivas nas bolsas mundiais, causadas pela incerteza trazida pela disseminação global do coronavírus e seus impactos econômicos imprevisíveis, os investidores procuraram refúgio no dólar. A moeda americana alcançou novo patamar recorde nesta sexta-feira e fechou negociada a R$ 4,480, alta de 0,10%. Foi a oitava alta consecutiva da moeda americana frente ao real.

Na máxima do dia, a divisa bateu em R$ 4,514, às 13h01. Na mínima, chegou a R$ 4,475 às 9h59. A moeda americana subiu mesmo com nova intervenção do Banco Central.

- O alastramento da doença justificou novamente o movimento de aversão ao risco dos investidores, que buscaram proteção em ativos que representem segurança, como o dólar. Independente das atuações do Banco Central, o viés de apreciação do dólar deverá ter sequência - disse Ricardo Gomes Silva, diretor da corretora de câmbio Correparti.

Na semana mais curta por conta do feriado de carnaval, a moeda americana acumulou valorização de 2,01%. No mês, a alta foi de 4,5% e no ano de 11,75%. O dólar perdeu força, no final do dia, depois de declarações do presidente do  Federal Reserve(O banco central americano), Jerome Powell, que disse que os fundamentos econômicos permanecem sólidos nos Estados Unidos, mas sinalizou que o banco central do país irá “agir apropriadamente para dar suporte à economia”.

Powell admitiu que a epidemia representa um risco crescente para a atividade econômica.

No exterior, o Dollar Spot, índice da Bloomberg que acompanha o desempenho da moeda americana frente a um cesta de moedas, recuava 0,54% ao final dos negócios de câmbio no Brasil.

No Brasil, o Banco Central (BC) voltou a atuar no mercado ao oferecer 20 mil contratos de swap tradicional, injetando mais US$ 1 bilhão no mercado. Todos os contratos foram vendidos. Além disso, a autoridade monetária rolou outros US$ 3 bilhões em operação de linha, como são chamadas as vendas com compromisso de recompra na tentativa que conter a desvalorização do real.

Hoje também influenciou a cotação do dólar a tradicional disputa pela formação da Ptax (taxa média do dólar) que liquidará os contratos indexados à moeda estrangeira, com vencimentos em 2 de março.

Bolsa inverte e sobe

Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) teve queda superior a 2%, mas na reta final do pregão inverteu a tendência e fechou com valorização de 1,15% oas 104.171 pontos, encerrando uma sequência de cinco quedas consecutivas. No início da tarde, o Ibovespa chegou a perder o patamar de 100 mil pontos e bateu em 99.950 pontos às 12h14. Na semana mais curta, o índice apresentou perda de 8,42% e, no ano, acumula desvalorização de 9,92%.

Na Europa, as bolsas registraram as maiores baixas semanais desde 2008, ano da crise financeira mundial, com temor de recessão por causa do coronavírus. Ainda assim, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que não vai dar estímulo às economias.

Analistas já veem crescimento global abaixo de 3%, o pior desde a grande recessão provocada pela crise de 2008. O Bank of America, que ontem reduziu a estimativa de crescimento para o PIB brasileiro, prevê crescimento de 2,8% da economia internacional neste ano.

O banco Goldman Sachs informou que espera que o coronavírus leve o Federal Reserve (FED, o banco central americano) a reduzir as taxas de juros dos EUA em 75 pontos-base até junho, num total de até três cortes a partir de sua próxima reunião em março.

A Bolsa inverteu seu desempenho negativo depois de declarações do presidente do  Federal Reserve (o banco central americano), Jerome Powell, que disse que os fundamentos econômicos permanecem sólidos nos Estados Unidos, mas sinalizou que o banco central do país irá “agir apropriadamente para dar suporte à economia”.

 Powell admitiu que a epidemia representa um risco crescente para a atividade econômica.

Para Ermínio Lucci, diretor executivo da corretora BGC Liquidez, a expectativa é que, em algum momento, os governos tomem medidas fiscais ou monetárias no sentido de acalmar os investidores. Ele afirmou que o mercado já vem precificando um primeiro corte da taxa de juros em março, de 0,25 pontos base, pelo Federal Reserve.

- A crise pegou o mercado caro, com ações em alta.  Isso explica a velocidade de venda dos papéis nas Bolsas mundiais. Mas o mundo está vivendo agora o que a China viveu em janeiro, com dúvidas sobre até onde o número de casos vai crescere quais os impactos na economia - disse Lucci.

Nos Estados Unidos, depois de caírem mais de 4% ontem, os principais índices acionários recuam mais de 2% e também caminham para a pior semana desde 2008, ano da crise financeira internacional iniciada pela falência do tradicional banco de investimento americano Lehman Brothers.

Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, as ordinárias da Vale (com direito a voto) recuaram 1,28% a R$ 43,90; as ON da Petrobras perderam 0,34% a R$ 26,74, enquanto as preferenciais da petrolífera (com direito a voto) se desvalorizaram 0,99% a R$ 25,05.

Já os papéis de bancos, com peso importante no índice, ajudaram no desempenho positivo do índice. As ações preferenciais do Bradesco subiram 1,84% a R$ 30,52 e os papéis PN do Itaú avançaram 2,03% a R$ 31,70. A percepção do mercado, segundo um operador consultado pelo GLOBO, é que os papéis de bancos tendem a sofrer menos impactos com a disseminação do coronavírus.

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