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Dólar acelera vendas da soja que começou a ser plantada em MT

Dólar acelera vendas da soja que começou a ser plantada em MT

Tombo do real em relação à moeda americana ´destrava´ os negócios, apesar dos fretes

As vendas da safra 2018/19 de soja, que vinham caminhando a passos de tartaruga no Centro-Oeste, voltaram a ganhar ritmo com a forte desvalorização do real ante o dólar que encostou nos R$ 4,20 na semana passada. E o momento para essa retomada é oportuno: com o fim do vazio sanitário, período em que o plantio é proibido para evitar a proliferação de pragas, começou no sábado a semeadura do grão em algumas regiões de Mato Grosso, que lidera a produção nacional. Apesar das chuvas irregulares previstas para a fase inicial dos trabalhos, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que a colheita alcançará 32,3 milhões de toneladas na temporada 2018/19, volume próximo ao do recorde de 2017/18 (32,5 milhões). 

As vendas antecipadas começaram um pouco mais cedo neste ano, em março, com a alta da soja brasileira gerada pela disputa comercial entre EUA e China. Apesar de início animador, a comercialização quase parou no Centro-Oeste após a paralisação dos caminhoneiros, em maio, que culminou no tabelamento dos fretes, elevando custos e gerando incertezas para o fechamentos de novos contratos de transporte do grão. Mas na época da greve as previsões de mercado apontavam que o dólar ficaria em R$ 4 no fim deste ano, enquanto o último Boletim Focus do Banco Central sinalizou R$ 4,40. 

`Eu vendi 50% da minha produção antes da paralisação e mais 20% há cerca de 20 dias, por causa do dólar`, afirma Diego Dallasta, produtor de Canarana, município na região leste de Mato Grosso. Segundo os números mais atualizados do Imea, as vendas da safra 2018/19 chegaram a 28,2%, ou 9,10 milhões de toneladas da produção total estimada. Apenas entre 7 de agosto e 10 de setembro, foram comprometidas 2,2 milhões de toneladas. Entre junho e agosto, segundo os dados do Imea, foram fechados contratos para apenas 213 mil toneladas de soja. `As vendas voltaram a avançar com a definição de que a tabela vai prevalecer mesmo. Assim, parte da incerteza sumiu. E teve a disparada do dólar`, confirma Enilson Nogueira, analista da consultoria Céleres. 

Com relação à safra 2017/18, que terminou de ser colhida no primeiro semestre, o Imea calcula que as vendas em Mato Grosso chegaram a 93,5% do volume total estimado para o ciclo. Houve avanço de 3,4 pontos percentuais na comparação com o mês passado. Segundo a Safras & Mercado, as vendas da safra de soja 2018/19 em todo o país chegaram a 22,8% da colheita recorde projetada em 119,8 milhões de toneladas. Conforme a consultoria, a média dos últimos cinco anos para o período é de 25,8%. Do ciclo 2017/18, já foi vendida 89,4% da produção estimada 119,4 milhões de toneladas. 

Luiz Fernando Roque, analista da Safras, diz que as vendas antecipadas voltaram a ocorrer impulsionadas pelo avanço de operações de barter (troca de grãos por insumos). `Mas se não houvesse o problema dos fretes, esse movimento de troca teria sido antecipado`, avalia. A receita operacional soja do ciclo 2018/19 está estimada em R$ 3.628 por hectare, em média, de acordo com cálculos da Céleres, que considera que o dólar médio da safra 2018/19 ficará em R$ 3,79. A margem operacional média no país está prevista em R$ 1.191 por hectare, menor que os R$ 1.628 de 2017/18 em decorrência de aumento de custos com insumos e com o frete. 

`Os preços [da saca de soja] não mudaram muito, não. Antes da tabela pagavam R$ 70 a saca e agora pagam R$ 68`, conta o produtor de Canarana. Dallasta vende a sua produção principalmente para as tradings Cofco e Cargill. `O preço não está ruim, o mercado é que está retraído. Só agora que voltou a ter alguma liquidez`, afirma Dallasta. As tradings estavam evitando efetuar negócios com entrega futura, dada a dificuldade de se precificar o frete. Havia a expectativa de que a tabela perderia a validade após julgamento de recursos apresentados por entidades representativas do agronegócio no fim de agosto, o que não ocorreu. 

`Se o dólar ficar no patamar de R$ 4,10, já compensa pagar o frete mais caro, mas há uma insegurança de como ficarão as coisas se o real se valorizar`, destaca Nogueira, da Céleres. Segundo ele, há dúvidas se a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aceitará ajustes nos preços mínimos para baixo. 

A Lei 13.703, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, prevê que quando houver oscilação no preço do diesel superior a 10% em relação ao preço considerado nos cálculos, a ANTT terá que publicar outra resolução com novos pisos mínimos. Como um dos componentes da formação do preço do diesel é o dólar, a tendência é de queda do combustível quando houver alta do real em relação à moeda americana. 

Segundo análise do Imea, nos próximos meses o dólar tende a continuar sendo o principal vetor de negócios para a soja. Conforme o instituto, em agosto o valor médio de venda da safra 2018/19 foi de R$ 67,44 a saca de 60 quilos, alta de 3,70% em relação ao mês de julho.

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