Do vinho às amêndoas: Como pequenos exportadores entraram no mapa do comércio global

Do vinho às amêndoas: Como pequenos exportadores entraram no mapa do comércio global

Sem instrumentos tradicionais que financiam grandes empresas, eles desbravam mercados da China, Japão e Emirados Árabes por conta própria

Sem os instrumentos tradicionais que financiam os grandes exportadores, como linhas de crédito com juros menores no mercado internacional, os pequenos empresários buscam outros caminhos para conquistar seu espaço no comércio global.

Para chegar a locais até então inimagináveis, eles recorrem a contatos pessoais e cooperativas, aproveitando a marca e a sustentabilidade ambiental.

Os brasileiros Alan Oliveira e Gabriela Pache fizeram mais do que colocar o estado do Mato Grosso do Sul no mapa de produtores de vinho no Brasil: foram os primeiros a vender a bebida a um país muçulmano.

Há cerca de duas semanas, enviaram as primeiras 1.500 garrafas aos Emirados Árabes Unidos.

Oliveira conta que deu prioridade a pequenas vinícolas brasileiras, que normalmente não são olhadas, não têm apoio e não conseguem entrar nos mercados.

O empresário havia negociado cosméticos com o país árabe há quase uma década e pediu uma pesquisa de mercado à Câmara Árabe-Brasileira sobre vinhos.

— Vamos produzir o primeiro vinho híbrido do mundo, o que significa que vamos iniciar o processo de produção no Brasil e enviaremos o produto para o outro lado do mundo, onde terminará de descansar e receberá rotulagem para venda — disse.

1ª venda para a China
Agricultores familiares de Barra do Choça, no sudoeste baiano, fecharam contrato de seis meses para exportar 120 toneladas de café arábica moído para a China. Joara Oliveira, presidente da cooperativa que reúne 324 agricultores da região, diz que é a primeira vez que vão exportar café. E já há negociação com o Canadá.

— Os produtores estão muito entusiasmados. Imagine você, um café da agricultura familiar sendo exportado para a China! Isso eleva a autoestima, e os produtores já pensam em elevar a plantação — disse.

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No Japão, uma linha de chocolate produzida naquele país usa 100% das amêndoas importadas do município paraense de Tomé-Açu. A Meiji, empresa que comercializa as amêndoas paraenses, usa como bandeira de qualidade o fato de se tratar do primeiro produto a receber o selo de Indicação Geográfica no Pará.

Concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o selo é usado para produtos característicos do local de origem, o que lhes atribui reputação e identidade própria e os distingue dos demais.

O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil, e não existem outras cooperativas no país que exportem amêndoas para o Japão, apenas a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta).

Alberto Oppata, presidente da Camta, afirma que ainda há muito a se fazer para que, no futuro próximo, o preço pago pelo cacau da região seja melhor que o do mercado internacional. Ele disse que os produtores têm desafios, como aumento da produtividade e melhorias genéticas.

— Só conseguimos exportar até 60% de nosso potencial — disse ele, destacando que esse tipo de cultura preserva a Amazônia e poderá se beneficiar no mercado de crédito de carbono.

Para Fabiano Andrade, analista do Sebrae na região, o cacau conseguiu Indicação Geográfica por se tratar de produto fino e diferenciado, o que é comprovado pelo fato de ser vendido a países com critérios rigorosos de exportação.

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