Divisão de poder nos EUA pode ser melhor para Brasil

Divisão de poder nos EUA pode ser melhor para Brasil

Senado americano pode conter excesso fiscal de um governo Biden, favorecendo juros baixos

O resultado das eleições americanas, com a provável vitória de Joe Biden e o Senado com controle republicano, caminha para o melhor cenário para a economia brasileira, afirmam analistas ouvidos pelo Valor. Essa combinação deve resultar num pacote fiscal moderado, menos altas de impostos e um período mais prolongado de juros baixos na maior economia do mundo.

Mas as incertezas não estão eliminadas. “É um bom cenário”, diz o head de research e sócio-fundador da Asset 1, Carlos Viana de Carvalho. “O risco é se houver necessidade de estímulos mais fortes caso a americana fraqueje mais com a nova onda da Covid. Os republicanos podem barrar.”

O fantasma é um repeteco do impasse no aumento do teto da dívida no governo Obama, o “fiscal
cliff”, que levou a uma consolidação fiscal prematura.
Os prognósticos são que, com Biden na presidência e republicanos no Senado, o pacote de
estímulo fiscal será menor. As especulações sobre o pacote de Trump iam de US$ 1 trilhão a US$
2 trilhões, enquanto que para um Biden obrigado a negociar com os republicanos vai de US$ 500
bilhões a US$ 1,5 trilhão.

Por outro lado, Biden, um conciliador, estaria menos pressionado pela esquerda democrata, a
quem teve que fazer concessões programáticas para unificar o partido - entre elas, a promessa de
aumentar os impostos sobre empresas e os mais ricos.
O estímulo fiscal mais fraco atenua um pouco as preocupações com o aumento do endividamento
público e, portanto, reduz as pressões sobre os juros do Tesouro americano - uma referência para
o custo do dinheiro em todo o mundo - e de desvalorização do dólar frente a outras moedas do
mundo.

Nada disso resolve os problemas econômicos do Brasil, que na essência são domésticos e
fiscais, diz um gestor de um grande fundo de investimento. Mas o pior cenário seria a combinação
desse desarranjo fiscal com um ambiente internacional desfavorável, que aumente a aversão a
risco ou diminua os níveis de liquidez

Mas, de outro lado, significa que a política monetária terá que assumir uma parte mais expressiva
na tarefa de estimular a economia. O governo Biden, além disso, deverá ter uma posição de
menos confronto com a China e menos protecionista, o que favorece os fluxos de comércio e
significa um vetor importante na contenção de altas de preços. Com o fiscal menos potente e
forças deflacionárias em jogo, o “forward guidande”, a promessa do Federal Reserve de não subir
os juros tão cedo, ganha fôlego.

O cenário que resulta para o Brasil é de ampla liquidez internacional por mais tempo e, de outro
lado, um crescimento moderado nos Estados Unidos, o que significa que a maior economia do
mundo não vai ser um polo muito mais poderoso de atração desses capitais.

“O cenário é de mais liquidez”, afirma Christopher Garman, managing director para as Américas
da Eurasia Group. “O problema é a falta de um estímulo fiscal maior.”

A apuração nos Estados Unidos não terminou. Trump ainda tem chances matemáticas, assim
como um Senado democrata. Nos últimos dois dias, o real reagiu muito bem a esse possível
desfecho das eleições americanas. “O real pode ter reagido bem por motivos adicionais: uma
possível contenção do populismo”, diz o economista chefe de um grande banco.

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