Distribuidoras de gás devem ser privatizadas em 2018

Distribuidoras de gás devem ser privatizadas em 2018

As primeiras privatizações das distribuidoras de gás canalizado, no âmbito do programa de desestatização coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), devem ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestres de 2018.

As primeiras privatizações das distribuidoras de gás canalizado, no âmbito do programa de desestatização coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), devem ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestres de 2018.

Segundo o chefe do Departamento de Desestatização do BNDES, Fernando Camacho, uma série de companhias estrangeiras já manifestou interesse pelos ativos. `Temos tido um grande interesse de players [internacionais], tanto daqueles que já estão no Brasil, operando no setor, quanto [empresas que estão] de fora. Temos tido o interesse de companhias da Ásia, do Japão e China, da Europa... Temos visto que o setor desperta um interesse grande`, disse Camacho.

Ao longo dos últimos anos, a iniciativa privada já vinha manifestando interesse na aquisição de distribuidoras brasileiras. Em 2015, a japonesa Mitsui, por exemplo, pagou R$ 1,9 bilhão por 49% da Gaspetro, da Petrobras. Um ano antes, foi a vez da espanhola Gas Natural Fenosa (CEG) tentar a compra da Gasmig, num negócio que não se confirmou devido a resistências políticas. Camacho explicou que o programa de desestatizações respeitará o direito de preferência dos atuais acionistas das concessionárias, dentre elas a Gaspetro e Mitsui.

Ele disse que o banco tem mantido o diálogo com as duas companhias, mas que elas ainda não se posicionaram sobre o interesse pela aquisição dos ativos. `Esse vai ser o nosso desafio: de fazer um modelo de leilão que consiga atrair os players, mas tendo o direito de preferência como premissa`, disse. A Mitsui é sócia direta de três dos sete Estados que já manifestaram a intenção de incluir suas concessionárias no programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo. A empresa japonesa, no entanto, possui 49% da Gaspetro e, de portanto, uma participação indireta nas demais distribuidoras, com exceção da BR Espírito Santo. Camacho destacou que o direito de preferência dos atuais acionistas está mantido, mas que os estudos sobre as privatizações avaliarão possíveis ajustes regulatórios e nos contratos de concessão.

`O escopo dos estudos [de modelagem das licitações] envolve a ´due dilligence´ [das distribuidoras], para cálculo do valor das ações do Estado, e vai envolver a avaliação econômico-financeira de dois cenários: um com [a manutenção do] atual contrato de concessão e acordo de acionistas; e um segundo cenário em que vamos avaliar melhorias regulatórias e contratuais, para justamente dar mais subsidio ao Estado sobre o valor das empresas`, explica. O BNDES já publicou os editais para contratação dos serviços de modelagem da desestatização da MSGás (MS) e Copergás (PE). Outros cinco Estados já manifestaram o interesse por privatizar as concessionárias Sulgás (RS), SCGás (SC), BR-ES, Potigás (RN) e PBGás (PB). O banco ainda não tem um cronograma definido para a licitação delas, mas a expectativa é que haja uma seqüência de lotes de licitações ainda em 2018.

André Ramalho e Rodrigo Carro

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