'Diplomaticamente, está errado', diz Mourão sobre reação da China a fala de Eduardo Bolsonaro

'Diplomaticamente, está errado', diz Mourão sobre reação da China a fala de Eduardo Bolsonaro

16:35 - Vice-presidente concordou com Itamaraty e disse que assunto não deveria ter sido tratado em rede social

BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira que concorda com a crítica feita pelo Ministério das Relações Exteriores à embaixada da China, por ter rebatido por meio de uma rede social declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Mourão disse que "diplomaticamente, está errado" fazer reclamações dessas de forma pública.

Na segunda-feira, Eduardo criticou, em uma publicação no Twitter, a "espionagem da China". A embaixada da China divulgou, na mesma rede social, uma reclamação contra a fala do deputado, endereçada ao governo brasileiro. O Itamaraty, então, enviou uma carta à embaixada repudiando a forma como a representação do país asiático reagiu à declaração de Eduardo.

— Eu acho que, diplomaticamente, está errado isso aí. É a segunda vez que o embaixador chinês reage dessa forma. Dentro das convenções da diplomacia, o camarada se sentindo, vamos dizer, incomodado com qualquer coisa que tenha ocorrido no país, ou ele escreve uma carta para o ministro de Relações Exteriores ou ele vai ao Itamaraty e apresenta suas ponderações. E não via rede social, porque aí vira um carnaval esse negócio — disse Mourão, ao chegar ao Palácio do Planalto.

O vice-presidente acrescentou:

— Então, o que o Itamaraty coloca está muito correto.

Ao dizer que é a "segunda vez que o embaixador chinês" reage dessa forma, o vice-presidente fez referência a um episódio de março, também envolvendo Eduardo Bolsonaro. Na época, o embaixador Yang Wanming criticou, também pelo Twitter, o parlamentar por ter responsabilizado a China pela pandemia do novo coronavírus.

Apesar de se opor à forma da crítica feita pela China, na quinta-feira Mourão tentou minimizar a declaração de Eduardo, dizendo que se tratava apenas da opinião de um parlamentar e que não alterava o trabalho do governo.

No mesmo dia, participou de um evento promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e ressaltou os laços comerciais entre os dois países.

Após polêmica: Deputados querem tirar Eduardo Bolsonaro da presidência da Comissão de Relações Exteriores

Nesta sexta-feira, questionado se o governo deveria aconselhar Eduardo a abaixar o tom, Mourão disse que não saber, mas ressaltou que Eduardo apagou a publicação que tratava da China e que deve ter sido aconselhado a isso:

— Essa questão não está afeita a mim. Ele postou e depois apagou. Acho que ele deve ter recebido alguma recomendação para tirar aquilo.

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