Diplomata na Câmara Árabe-Brasileira pretende expandir negócios com Oriente Médio

Diplomata na Câmara Árabe-Brasileira pretende expandir negócios com Oriente Médio

Diplomata Osmar Chohfi, que assume hoje a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, pretende expandir a rede de negócios com o Oriente Médio para além das commodities

Apesar da crise de confiança que abala a economia brasileira, em razão da tendência antifiscal do Orçamento 2021 e do agravamento da pandemia, investidores árabes estão atentos às oportunidades no país. A avaliação é do embaixador Osmar Chohfi, que assume hoje a presidência da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

Diplomata de carreira, Chohfi representou o Brasil na Espanha e no Equador e ocupou o cargo de secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele demonstra otimismo em relação ao potencial brasileiro para atrair investidores. “Há fundos soberanos árabes interessados em comprar ativos no Brasil e nos programas de desestatização do governo. Independentemente dos problemas, podemos identificar oportunidades, sim. O país tem um potencial extraordinário, é um grande mercado e atrai investimento produtivo”, afirmou Chohfi ao Correio.

O embaixador citou a aquisição da refinaria Landulpho Alves, na Bahia, por US$ 1,6 bilhão em fevereiro, como um exemplo do interesse de investidores árabes. O diplomata reconhece, contudo, que a desvalorização do real frente ao dólar torna os ativos brasileiros mais baratos e ajuda a compensar riscos, que aumentaram recentemente.

“O Brasil está barato, e esse é um dos fatores que pode ajudar a atrair investidores, apesar das confusões do governo e da imagem cada vez mais deteriorada do presidente Jair Bolsonaro na questão ambiental e no combate à covid-19”, avalia o embaixador. “Qualquer investidor que colocar na balança o potencial de investimento no Brasil vai ter a certeza de que pode ter investimentos rentáveis”, acredita ele, que se considera “realista”, e não otimista.

De acordo com Chohfi, o comércio bilateral do Brasil com países árabes é favorável para o lado brasileiro, com saldo positivo na balança, mas com uma pauta muito concentrada “em determinados produtos”. Uma das bandeiras de Chohfi à frente da Câmara de Comércio será intensificar o comércio, mas buscar diversificação da pauta comercial entre o Brasil e os países da Liga Árabe. Atualmente, 80% dos itens comercializados são commodities, com destaque para proteína animal e minério de ferro, do lado brasileiro; e fertilizantes e petróleo, pelo lado árabe. Reconheceu que o Brasil é um parceiro estratégico para os países árabes, porque é o maior fornecedor de proteína halal, processada de acordo com as normas islâmicas.

De acordo com dados da entidade, as exportações do Brasil para a Liga Árabe, bloco de 22 países no Oriente Médio e no norte da África, somaram US$ 11,47 bilhões, 6,3% abaixo do registrado em 2019. Em 2021, “apesar das circunstâncias da pandemia”, houve crescimento de 18,2% no comércio bilateral no primeiro trimestre em relação a 2020, segundo Chohfi.

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