Diplomata iraniano é condenado a 20 anos de prisão na Bélgica por envolvimento em plano de atentado contra opositores

Diplomata iraniano é condenado a 20 anos de prisão na Bélgica por envolvimento em plano de atentado contra opositores

15:35 - Asadolah Asadi, na época na embaixada iraniana em Viena, foi apontado como o fornecedor do explosivo que seria usado em comício de grupo de oposição na França

ANTUÉRPIA — Um tribunal da Bélgica condenou a 20 anos de prisão um diplomata iraniano acusado de planejar um atentado contra um grupo de oposição ao regime de Teerã. De acordo com a denúncia, Asadolah Asadi forneceu os explosivos pra que fossem detonados durante um comício do Conselho Nacional de Resistência do Irã, braço político da milícia Mujahedin do Povo (MEK), grupo considerado terrorista por vários países.

O ataque ocorreria nos arredores de Paris, em 2018, mas o casal responsável por levar a bomba foi interceptado pela polícia em Antuérpia de posse de meio quilo de explosivos e um detonador. Os promotores afirmam que Asadi, que era adido na embaixada iraniana em Viena, foi até a Bélgica entregar o material a Nasimeh Naami e Amir Saadouni, também condenados nesta quinta-feira a 18 e 15 anos, respectivamente. Um terceiro envolvido, Mehrdad Arefani, foi acusado de ser cúmplice dos planos e recebeu pena de 17 anos de prisão.

Os três perderam a cidadania belga.

Na época, o caso serviu para tumultuar a visita do presidente Hassan Rouhani a vários países europeus, em uma ofensiva para tentar salvar o acordo sobre o programa nuclear do país — dois meses antes da viagem, os EUA se retiraram do pacto e implementaram uma agressiva política de sanções. Além das conversas diplomáticas, Rouhani precisou negar qualquer envolvimento do Irã nos planos para o atentado, algo sugerido pela França.

O chanceler Javad Zarif disse que o momento em que as acusações foram feitas pareceu “conveniente”, e acusou o próprio MEK de planejar o ataque para colocar a culpa em Teerã, destruindo de vez o acordo nuclear e os canais diplomáticos com a Europa. Ele também criticou a prisão do diplomata, feita pela Alemanha, e chamou a ação de “violação e imunidade”.

— Essa decisão judicial mostra duas coisas: um diplomata não tem imunidade para atos criminosos, e a responsabilidade do Estado iraniano no que poderia ser um massacre — declarou o promotor Georges-Henri Beauthier, depois da decisão da Justiça nesta quinta-feira.

Considerado o maior grupo de oposição fora do Irã, os Mujahedin do Povo lutaram contra o regime do xá Reza Pahlevi e, depois da Revolução Islâmica de 1979, contra o novo regime teocrático liderado pelos aiatolás. O grupo chegou a lutar ao lado das forças iraquianas durante a guerra entre os dois países (1980-1988), ficando baseados no Iraque até 2016, quando mudaram suas operações para a Albânia.

O grupo tem forte presença ainda na Europa e nos EUA, onde levanta boa parte do financiamento para manter suas operações, e é acusado pelo governo iraniano de participar de ataques dentro e fora de suas fronteiras. Um deles foi o assassinato do cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh, em 2020, nos arredores de Teerã.

www.prensa.cancilleria.gob.ar es un sitio web oficial del Gobierno Argentino