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Desgaste entre Guedes e Bolsonaro aumenta

Desgaste entre Guedes e Bolsonaro aumenta

Intenção do ministro de enfraquecer proposta do pacto federativo após derrota na Previdência incomodou presidente

A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes (Economia), a `posto Ipiranga` do governo, sofreu novo desgaste esta semana após derrota do Palácio do Planalto na votação da reforma da Previdência.

Bolsonaro ficou incomodado depois de ter chegado a ele a informação de que Guedes trabalhava para enfraquecera proposta do pacto federativo.

De acordo com assessores palacianos, o presidente teve receio de que o episódio soasse como uma ameaça por parte do ministro aos parlamentares, o que poderia fragilizar a relação entre governo e Senado. Além da reforma da Previdência ainda precisar passar por votação em segundo turno no plenário, a casa legislativa será a responsável por validar a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL- SP) para o cargo de embaixador do Brasil em Washington.

Após sofrer derrota na votação da reforma no Senado, Guedes iniciou na quarta (2) um movimento para desidratara proposta do governo para o pacto federativo conjunto de medidas que visam destinar mais recursos para estados e municípios. A ação do chefe da equipe económica veio horas após os senadores derrubarem um artigo da reforma que criava regras mais rígidas para recebimento do abono salarial.

Pelos cálculos do Ministério da Economia, a mudança reduziu o impacto da proposta em R$ 76,4 bilhões em dez anos. Embora a equipe econômica negue que haja estremecimento na relação do ministro com o chefe do Executivo, os ruídos de informação levaram Guedes a dar explicações pessoalmente ao presidente nesta quinta- feira {3).

Bolsonaro teme que o desgaste de sua imagem perante a opinião pública coma reformada Previdência seja em vão, já que a economia pode ficar muito aquém do que o prometido e anunciado pela equipe econômica.

Guedes aproveitou o clima de descontraçào de uma festa surpresa em comemoração do aniversário do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) para dar explicações ao chefe do Poder Executivo.

Segundo interlocutores, o ministro da Economia afirmou que as divergências na verdade estão entre os parlamentares, que se queixam de problemas de distribuição de recursos federais. Auxiliares de Guedes afirmam ainda que a ação dele no Congresso é justa porque sua imagem sairia desgastada se ele a ceitasse passivam ente as mudanças no texto queim puseram perda de economia com aaprovação da reforma.

Na visão de assessores de Bolsonaro, o chefe da Economia falhou ao agir de forma intempestiva pois pode prejudicar a frágil relação do Executivo com o Legislativo.

Numa tentativa de traçar saídas e garantir que o texto da reforma seja aprovado sem queo Congresso imponha novas derrotas, o governo agora estuda novas distribuições de recursos na cessão onerosa e no pacto federativo, além da liberação de emendas parlamentares.

Para isso, o Secretário da Previdência eTrabalho, Rogério Marinho, entrou em campo na quarta e passou a levantar demandas de parlamentares e das bancadas.

Em outra frente para eon ter a crise instalada no Legislativo nesta semana e garantir apoio â reforma da Previdência, Guedes propôs a li deranças do Congresso que parte dos recursos arrecadados com leilões de petróleo se ja m conve rtidos em e me ndas parlamentares, que destinam verbas a obras nas bases eleitorais. A idéia defendida por Guedes é fazer uma divisão dos recursos arrecadados com os leilões não apenas entre Uni ão, estados e municípios, como estava previsto, mas também com parlamentares.

Na divisão, que exige apro vação do Congresso, pouco menos de 70% dos recursos ficariam com a União. Do valor restante, seriam destinados 40% a emendas parlamentares, 30% para estados e 30% para municípios.

Nas reuniões com auto ridades, o ministro argumentou que a medida está alinhada com sua idéia de dar mais poder aosparlamentares na gestão do Orçamento. Isso porque hoje apenas 6% do Orçamento federal é de despesas de execução não obrigatória, que podem ser remanejadas. Todo o restante é carimbado enão pode ser alterado pelos parlamentares.

Nos últimos meses, Guedes viu sua alcunha de `posto Ipiranga` enfraquecida, em especial d ur ante o debate da reforma tributária, em discussão no governo.

Inicialmente Bolsonar o foi convencido pelo ministro a enviar ao C ong resso uma pro postade reforma tributária que incluísse a recriação de um tributo nosmoldes da extinta CPMF.

A iniciativa, porém, encontrou um adversário de peso no Palácio do Planai Lo.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, aconselhou mais de uma vez Bolsonaro a abandonar a idéia, o que ecoou entre eleitores do presidente e o levou a desistir. A partir de então, o presidente passou a fazer consultas sobre assuntos econômicos com Onyx e os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

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