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Desaceleração global e crise argentina afetam preços e volumes de exportação

Desaceleração global e crise argentina afetam preços e volumes de exportação

A desaceleração da economia global e a crise da Argentina têm afetado significativamente as exportações brasileiras.

De janeiro a agosto, a quantidade total exportada pelo país caiu 3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os preços recuaram 3,1%, nessa mesma base de comparação. Em 12 meses, o volume exportado mostra perda de fôlego considerável passou de uma alta de 9,1 % até abril de 2018 para uma expansão cie apenas 1,1 % até agosto deste ano. Os números são da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Os dados evidenciam que a demanda externa é hoje um vento contrário à economia brasileira, quedepende hoje da demanda doméstica para crescer. `O cenário global está ficando cada vez mais desafiador para o Brasil`, resume o econoinista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto. `Nós vamos ter q ue contar cada vez menoscom ele para a recuperação da economia brasileira.` Segundo Porto, o saldo comercial, que no começo do ano rodava a uma média mensal anualizada de USS 50 bilhões, na série com ajuste sazonal, hoje está na casa de USS 33 bilhões.

Ele diz que esse movimento se deve principalmente à evolução do volume e dos preços de exportação do Brasil. O índice de commodities CRB, por exemplo, caiu cerca de 5% desde o fim de julho, afirma Porto. De acordo com números da Funcex, as cotações das vendas externas dos produtos básicos brasileiros recuaram 1,3% no acumulado do ano até agosto. A queda é cie 5,1% no caso dos preços dos sem im anil faturados e de 2,9% nos dos manufaturados.

No mundo desenvolvido, a indústria mostra um desempenho negativo. Em setembro, o índice de atividade industrial do Instituto de Gerenciamento de Oferta dos EUA, por exemplo, ficou em 47,8%, o nível mais baixo desde junho de 2009.

Porto lembra que a Organização Mundial de Comércio (OMC) reduziu na terça-feira a projeção de crescimento do comércio global para 2019 cie 2,6% para 1,2%. A guerra comercial entre EUA e China tem produzido estragos, aumentando a incerteza e afetando as decisões de investimento das empresas. O efeito é a perda de gás da atividade econômica global, com impacto sobre a demanda externa por produtos brasileiros.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que boa parte da desaceleração do volume tem ocorrido nas exportações cie produtos manufaturados e seminafaturados a quantidade vendida ao exterior desses últimos bens caiu 4,5% nos 12 meses até agosto. `A Argentina tem u m grande peso, devido ao mercado de automóveis`, afirma Vale.

De janeiro a setembro, as vendas para o país vizinho recuaram quase 40% em valor na comparação com o mesmo período de

2018. `Mas também vemos desade celeração porcausa da queda geral de atividade no mundo, especialmente neste ano`, diz ele. `As revisões de crescimento mundo afora também acabam impactando nossas exportações.`

Para Vale, a desaceleração das exportações industriais deverá avançar no ano que vem, com a possível recessão nos países desenvolvidos. `Mas, como somos relativamente fechados, o impacto não é tão grande para o Brasil, especialmente porque estamos com as contas externas em ordem.`

O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada, avalia que o setor externo deverá contribuir negativamente para o crescimento brasileiro em 2019 e também em 2020. Para ele, as exportações deverão se estabilizar, na melhor das hipóteses, jã as importações tendem a ganhar algum terreno, dada a perspectiva de recuperação da demanda doméstica. Embora não se espere uma retomada das mais fortes, isso levará a um aumento das compras externas.

Campos destaca que as exportações têm surpreendido para baixo. O cenário global de desaceleração da atividade, num quadro de maior tensão comercial, prejudica as vendas externas brasileiras, diz ele, na lin ha do que afirmam Porto e Vale. `E para o Brasil há o agravante da crise da Argentina, que afeta bastante o setor industrial.`

Nesse quadro, Campos vai revisar as projeções de saldo comercial da Tendências. Para 2019, a consultoria deve cortar a estimativa de um superávit de USS 50 bilhões para USS 45 bilhões ou um pouco menos, com as exportações recuando de US$231 bilhões para a casa de USS 225 bilhões. Na terçafeira, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reduziu a previsão de saldo deste ano para USS 41,8 bilhões em julho, trabalhava com superávit de USS 56,7 bilhões.

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