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Derrocada de Macri vira arma para a esquerda na Bolívia e no Uruguai

Derrocada de Macri vira arma para a esquerda na Bolívia e no Uruguai

Candidatos usam fracasso do argentino para criticar os rivais mais à direita e sobem nas pesquisas

O fracasso do presidente argentino, Maurício Macri, nas eleições pri márias deu fôlego a candidatos de esquerda de outros países da América do Sul que também vã o eleger seus lideres nos próximos meses.

Os lideres ms pesquisas tanto no Uruguai, quanto na Bolívia têm usado o argentino como exemplo para atacar os rivais mais â direita do espectro político.

É o caso de Evo Morales, que concorre a um polêmico quarto mandato na Bolívia a Constituição permite apenas tuna reeleição, mas ele conseguiu aprovação da Justiça para concorrer novamente.

Em seu discurso de campanha, a Argentina tem sido apresentada como um anti exemplo nos comícios.

`Os neoliberais e a extrema direita começam a cair na região. Vejam a Argentina: Macri se ajoelhou diante do FMI [Fundo Monetário Internacional] e agora está sendo castigado nas urnas. A Bolívia, em nosso governo, se libertou do FMI`, disse ele em La Paz.

Evo tema firmado ainda que a Bolívia se prepara para um `retomo massivo de bolivianos que vivem na Argentina para seu pais de origem, para escapar da crise argentina`.

Cerca de 1 milhão de bolívianos vive no país vizinho, que passa por uma crise econômica, com inflação acima de 50% ao ano e o desemprego em 10,5%.

Em entrevista à Folha há algumas semanas, o presiden te boliviano disse que gosta de Macri `pessoalmente, mas sua escolha política foi errada e está sofrendo as conseqüências`.

As últimas pesquisas na Argentina mostram que o candidato opositor, Alberto Fernández que tema ex-presidente Cristina Kichner como vice tem ampliado a vantagem sobre Macri. A diferença, que nas primárias em agosto ficou em 15 pontos percentuais, já chega a 2a em alguns levantamentos.

Na Bolívia, a esquerda também aparecena liderança, emboraas pesquisas no país náo sejam muito confiáveis.

Os levantamentos mostraram, inicialmente, o ex-presidente Carlos Mesa em primeiro lugar. Aos poucos, porém, Evo virou o jogo em uma disputa apertada. Pesquisas mais recentes já dão certa folga ao atual presidente.

Foi justamente depois da derrota de Macri nas primárias que o boliviano tomou a dianteira com mais vigor. Ele agora tem 34%, contra 27% de Mesa.

`A derrota de Macri tem feitobem ã candidatura de Morales, pois lhe dá argumentos contra o modelo neoliberal`, afirma o analista político Fernando Molina.

Ele alerta, porém, que outros fatores também devem influenciar a vota çá o. `A atuação dele comrelação aos in céndios na Amazônia o prejudicaram a princípio, mas ele já vem se recuperando. Épreciso ver com o isso vai se refletir naspesquisas` diz Molina. De to do modo, todas as sondagens na Bolívia têm mostrado um alto número de indecisos, por volta de 15%, o que ainda pode pesar a balança para um lado ou outro.

Caso nenhum candidato consiga mais do que 50% dos votos] haverá um segundo turno em dezembro.

Para aproveitar ao máximo a carona no atual êxito de Alberto Fernández na Argenti na, Evo recebeu o candidato kirchnerista na ultima semana, em La Paz, para conversar sobre o futuro da região.

O argentino, certo de sua conquista, apesar de a real eleição ocorrer apenas no dia 27 de outubro, tem feito um tour internacional visitando outros líderes passou por Espanha, Portugal e Peru, além da Bolívia. Já no Uruguai, a den ota de Macri nas primárias deu um novo vigor à Frente Ampla, coalizão de esquerda que comanda o país desde 2005.

O candidato govemista, Daniel Martínez, lidera a disputa na semana passada, subiu de 35% para 39% das in tenções de voto, segundo dados do instituto Factum. Em segundo lugar, com 26%, vem Luis Laealle Pou, candidato do Partido Nacional, de centro-direita. Em terceiro, aparece com 18% o nome do Partido Colorado, o centrista Ernesto TaJvi.

`O mau desempenho de Macri nos prejudica e alimenta as esperanças do candidato governista. Mas estamos seguros de que os eleitores uruguaios irão entender que cada país tem suas particularidades. E, no caso do Uruguai, a esquerda já completou um ciclo`, disse Talvi à Folha.

Martínez também tem usado ofracasso de Macri nas primárias argentinas em seu discurso. Em um comício recente em Colônia do Sacramento, afirmou que `um amigo que náo ê e leitor da Frente Am pia me disse que estava vendo na oposição uruguaia o que vimos que ocorreu com Macri, que achava que o problema a ser resolvido era muito fácil.`

`Macri chegou a dizer que controlar a inflação era muito fácil. Ê o mesmo que dizem nossos opositores aqui, mas não conhecem o problema`, afirmou ele.

Em outro discurso, Martínez afirmou que `nenhum candidato pode dizer que administrar um país é como administrar uma empresa privaria, como fez Macri. Isso seguramente leva ao fracasso`. A eleição uruguaia ocorrerá em27de outubro, urna semana após abolívíana. Até lá, oqueacontecerna Argentina deve seguir influenciando os dois pleitos.

Todos  os olhares devem se voltar para o que vai acontecer em Buenos Aires.

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