Deixando rixas de lado, presidente argentino envia carta desejando rápida recuperação a Bolsonaro

Deixando rixas de lado, presidente argentino envia carta desejando rápida recuperação a Bolsonaro

07/07 - 19:32 - No que pareceu uma alfinetada no presidente brasileiro, Alberto Fernández destacou que o coronavírus não "diferencia entre governantes e governados", e pediu que "cuidados sejam extremados"

Deixando rixas de lado, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, redigiu uma carta desejando uma rápida recuperação ao presidente Jair Bolsonaro e, no mesmo texto, destacando a “periculosidade” do coronavírus. Fiel à atitude rígida que teve desde o começo da pandemia, implementando a quarentena mais longa do mundo em Buenos Aires e na Grande Buenos Aires, Fernández diz no texto que “este vírus não diferencia entre governantes e governados”.

Em reunião virtual com a Associação Cristã de Dirigentes de Empresas, o presidente argentino informou que a carta será enviada a Bolsonaro através do embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli. No texto, ao qual O GLOBO teve acesso, Fernández afirma que “a periculosidade desta pandemia fica expressada nos níveis de contágio. Este vírus não diferencia entre governantes e governados. Todos e todas estamos ameaçados e por isso os cuidados devem ser extremados. Acho que assim o entendem nossos povos que enfrentam esta tragédia com integridade e responsabilidade. Nesta hora difícil, receba minha saudação e toda minha solidariedade com o povo do Brasil”.

Por demoras em sua nomeação e pela pandemia, Scioli não está ainda no Brasil. A nota, portanto, poderia ser entregue à embaixada brasileira em Buenos Aires, informaram fontes da Casa Rosada. As mesmas fontes disseram que o governo argentino não está preocupado com o estado de saúde do presidente brasileiro, mas considerou importante, no atual contexto, enviar uma mensagem amigável a Bolsonaro.

— É um gesto que significa uma mudança. Pequena, mas mudança enfim — disse uma fonte argentina, em referência ao péssimo relacionamento entre os dois presidentes.

O histórico da relação é complexo. Em plena campanha, Fernández visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão; Bolsonaro fez campanha pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019); filhos do presidente brasileiro fizeram comentários discriminatórios sobre o filho de Fernández; o presidente brasileiro negou-se a participar da posse do chefe de Estado argentino e o primeiro encontro entre ambos, virtual, foi a cúpula de presidentes do Mercosul, na semana passada.

— Escrevi uma carta ao presidente brasileiro desejando uma rápida recuperação — declarou Fernández.

A notícia sobre a infecção do presidente brasileiro causou impacto em toda a região. A mídia latino-americana deu grande destaque à informação e, em muitos casos, questionou o negacionismo de Bolsonaro sobre a pandemia do coronavírus.

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