Declaração do Brics defende multilateralismo

Declaração do Brics defende multilateralismo

Em 102 tópicos, texto faz ainda defesa enfática de organismos como ONU e OMC na deliberação de disputas comerciais

Os países do Brics - bloco formado por Rússia, India, Chinae África do Sul- adotaram ontem a declaração de Johannesburgo, voltada par a a defesa do multilateralismo no comércio global, acordos e memorandos entre os países.

Em seus 102 tópicos, a declaração faz defesa enfática de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio e a Organização das Nações Unidas, como instâncias de deliberação sobre disputas comerciais e conflitos entre países. `Reconhecemos que o comércio multilateral enfrenta desafios sem precedentes`, diz trecho do documento, num apelo para que os países-membros da OMC `honrem seus compromissos`.

Adeclaração aborda ainda temas como economia digital, meio ambiente e desenvolvimento tecnológico, além de enfatizar o combate ao terrorismo, clamando a todos os países pela prevenção do financiamento a redes de terroristas.

O ministro dos Transportes, Valter Casimiro, assinou memorando de entendimentos proposto pelo Brasil para cooperação técnica em aviação regional, focado em aspectos operacionais, e que permitirá também a prospecção no mercado de cada país do Brics, foco de interesse da Embraer. Na área de meio ambiente, os países assinaram um memorando de entendimentos de colaboração em gestão de recursos hídricos, qualidade do ar, biodiversidade e gestão de resíduos. Serão trocadas experiências e conduzidas pesquisas em conjunto pelos países. O acordo foi assinado pelo embaixador na África do Sul, Nedilson Ricardo Jorge.

MercosuL

Ainda ontem, o ministro da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, avaliou como positiva a trégua comercial entre Estados Unidos e União Européia (UE) e acredita que o foco do bloco europeu em relação à maior potência econômica do globo não interferirá nas negociações com o Mercosul, que estão arrastadas há anos. Ontem, o presidente Michel Temer disse estar confiante sobre um consenso em setembro.

`Avaliamos que qualquer queda de barreira anunciada e aumento do fluxo de comércio são benéficos, pois quanto maior o fluxo, melhor é para os países que estão inseridos nas exportações. A primeira avaliação é de que o caminho é esse da abertura comercial e do multilateralismo`, afirmou em Johannesburgo, onde participa cúpula do Brics..

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil(AEB), José Augusto de Castro, a decisão de zerar as tarifas e barreiras nas negociações comerciais entre EUAe UE ajuda a segurar a queda nos preços das commodities. E o Brasil, que é muito dependente desses produtos para o desempenho da balança comercial, sai ganhando com isso.

A médio prazo, no entanto, o presidente da AEB não vê com bons olhos essa estratégia de aproximação. `Ela pode isolar o Brasil comercialmente`, adverte.

Felipe Frazão &  Célia Froufe

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