De 163 iniciativas de vacina para Covid-19 no mundo, três estão na última etapa de testagem

De 163 iniciativas de vacina para Covid-19 no mundo, três estão na última etapa de testagem

20:20 - Brasil está envolvido em seis projetos, dois deles já com ensaios clínicos em humanos

SÃO PAULO — Pouco mais de seis meses após o surto de Covid-19 ter se tornado oficialmente uma pandemia, o planeta já tem 163 iniciativas de desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desses projetos, apenas três já chegaram na última etapa de testagem — a fase 3 — em que a vacina é administrada em humanos para avaliar a eficácia do produto. São eles: a vacina de RNA da empresa de biotecnologia americana Moderna, e a vacina da chinesa Sinovac e a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.
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Duas dessas iniciativas mais avançadas têm presença no Brasil. A vacina da parceria Oxford/AstraZeneca tem testes no país coordenados pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A vacina da chinesa Sinovac será testada também em voluntários brasileiros pelo Butantan.

A Moderna já tem autorização para entrar em fase 3, mas segundo a OMS testes ainda não começaram. Nos cenários mais otimistas, com testes de fase 3 andando rápido, as primeiras vacinas podem ganhar aprovação antes do fim do ano.

Caso as vacinas em estágios mais adiantados falhem, ou demonstrem pouca eficácia, outros produtos continuam na linha de desenvolvimento, porque podem resultar em vacinas mais eficazes.

No panorama traçado pela OMS, o maior número de vacinas em desenvolvimento são aquelas que utilizam subunidades proteicas para tentar ativar o sistema imune. Por serem de produção barata e rápida, mais de 50 grupos de pesquisa já se dedicaram a tentar desenvolvê-las. Nenhuma destas, porém, chegou ainda a testes clínicos de fase 3.

Entre os projetos ainda em fase pré-clínica, com experimentos em animais ou em amostras de laboratório, o Brasil também possui duas iniciativas.

Uma deles é a vacina em desenvolvimento pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que usa a estratégia das "partículas semelhantes a vírus". Outra é um projeto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que modificou o vírus influenza com genes do novo coronavírus para produzir uma vacina de vírus inativado.

Jorge Kalil, imunologista que lidera a iniciativa da USP, afirma que seu projeto mira uma "segunda geração de vacinas", com foco maior na imunidade de tipo celular — o tipo de imunidade que é liderado por linfócitos, um tipo de célula do sistema imune, e não em anticorpos, os complexos de proteicos que atacam pátógenos.

— Por sorte, existe uma diversidade muito grande nas iniciativas de vacina, e tem cientista pensando nas mais diferentes opções — afirma o pesquisador. — Tomara que tenham várias que sejam boas. Com o tempo, vão ficar uma ou duas, e aquelas que vão ficar são aquelas que se demonstrarem mais eficazes e oferecerem proteção por mais tempo.

Kalil não descarta, porém, um cenário inicial em que precisem haver campanhas periódicas de vacinação para compensar perda de imunidade, como ocorre com as vacinas atuais de gripe.

Outras duas instituições brasileiras, o Instituto de Ciências Biomédicas da USP e o Laboratóro de Desenvolvimento de Vacinas, do Butantan, têm pesquisas em fase mais conceitual, antes de testes em animais, ainda não listadas pelo panorama que a OMS traçou.

Há quatro projetos de iniciativa brasileira, ao todo, além dos dois que envolveram o Brasil a partir da etapa de testes clínicos.

Uma perspectiva interessante para o Brasil é a de produzir vacinas em solo nacional. A Universidade de Oxford já firmou acordo com a Fiocruz para produção de lotes de sua vacina em Manguinhos, e a Sinovac deve licenciar produção no Butantan, também.

— Temos uma frabrica que era destinada à produção de proteínas recombinantes, e parte dessa fábrica nós vamos destinar para a produção especifica da vacina contra o coronavírus — contou Dimas Tadeu Covas, diretor do Butantan, em seminário no início do mês. — Estimamos que, dentro de dez a quinze meses, a gente tenha a produção nesse local podendo chegar a 100 milhões de doses por ano.

Segundo Covas, porém, ainda não está claro o quanto as vacinas que estão mais adiantadas em desenvolvimento poderão ser úteis ainda neste ano, mesmo que os testes clínicos tenham resultados adiantados, porque a logística de campanhas de vacinação é um complicador a mais.

— Uma questão sobre a qual a gente precisa se debruçar um pouco é se a vacina será útil nesta onda epidêmica da Covid-19. — afirma Covas. — Provavlente, no Brasil, a onda já terá terminado e ela vai estar andando pela África e e outras regiões mais pobres.

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