Crise turca reforça importância de reformas no Brasil e em emergente

Crise turca reforça importância de reformas no Brasil e em emergente

A turbulência que vem abalando principalmente as economias emergentes nas últimas semanas tem seu epicentro na Turquia. Embora outros fatores, como incertezas geopolíticas e má administração interna das finanças, também tenham influenciado tais efeitos negativos, o caso turco é exemplar e sistêmico, reunindo as condições do que poderia ser classificado como a tempestade perfeita.

A turbulência que vem abalando principalmente as economias emergentes nas últimas semanas tem seu epicentro na Turquia. Embora outros fatores, como incertezas geopolíticas e má administração interna das finanças, também tenham influenciado tais efeitos negativos, o caso turco é exemplar e sistêmico, reunindo as condições do que poderia ser classificado como a tempestade perfeita.

Nos últimos anos, a Turquia foi um dos emergentes que cresceram com mais rapidez, inclusive comparado a economias mais maduras. O problema é que tal expansão foi feita à base de endividamento em moeda estrangeira. Os empréstimos tomados pelo governo geraram déficits fiscais e em conta corrente, bem além da capacidade do país, o que fez acender a luz amarela entre investidores e agentes de mercado.

Além disso, o presidente Recep Tayyip Erdogan obrigou a autoridade monetária a manter as taxas de juros num patamar bem inferior ao necessário para conter a crescente inflação, que hoje está cerca de três vezes acima das metas do Banco Central. A interferência do Executivo nas instituições financeiras resultou, portanto, na piora do quadro, e a lira perdeu 37% de seu valor desde o início do ano. A queda da moeda turca contaminou outros mercados de câmbio, afetando, por exemplo, o peso argentino e a rúpia indiana.

Torna o cenário mais grave, o impasse político entre Erdogan e o presidente americano, Donald Trump, em torno da prisão pela Turquia do pastor americano Andrew Craig Brunson, acusado de espionagem, terrorismo e participação na fracassada tentativa de golpe contra o presidente turco em 2016. O governo de Ancara sugeriu que podeira libertar Brunson, em troca da extradição do clérigo Fetullah Gulen, dissidente acolhido pelos EUA e considerado inimigo político de Erdogan, que o acusa de participar da tentativa do golpe.

Em retaliação, Washington sobretaxou o aço e o alumínio do país, levando os mercados a temerem uma escalada com resultados imprevisíveis na economia mundial, sobretudo nos países emergentes. A crise expôs a fragilidade da economia turca e a condução equivocada pelo governo por meio de indevida intervenção do Estado, tal como ocorreu no segundo governo de Dilma Rousseff.

Embora suas reservas e indicadores de solvência indiquem uma situação menos vulnerável do que a de outros emergentes, o Brasil corre risco de ser arrastado. As reformas básicas inconclusas, sobretudo a da Previdência, e o incerto cenário eleitoral indicam que o governo e o Legislativo precisam retomar já o saneamento das contas.

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